FALÁCIAS: "quando o cão morde a mão do dono!"
"O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se de falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão, podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso"
Referência: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%A1cia
A imagem seguinte mostra a intensidade de tráfego marítimo e a sua relação com a sondagem de pesquisa petrolífera que o consórcio GALP/ENI pretendia realizar a cerca de 50 kms da costa portuguesa
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As cores mais quentes indicam intensidade de tráfego mais elevada. A estrela preta indica a localização aproximada da sondagem proposta. Em 2016, o movimento de navios comerciais próximo da área de estudo foi o seguinte: 4.555 no Porto de Lisboa; 3.236 no Porto de Setúbal; Sines 4810. O movimento marítimo total no continente foi de 21.577.
Fonte: Marinetraffic.com, 2018.
Falácia 1:
Citando a Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP), o Jornal de negócios refere que a providência cautelar interposta pela PALP e que foi admitida pelo Tribunal de Loulé terá tido “por base uma alegada irregularidade de um processo conduzido pela Direcção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos”, que terá consistido, refere o jornal, na “não divulgação de estudos de monitorização de cetáceos quando este processo esteve em consulta pública”.
Ora, parar a pesquisa petrolífera por causa de uma inconformidade como a monitorização de cetáceos é no mínimo "risível", quando tomamos consciência das dezenas de milhares de embarcações que circulam diariamente em água territoriais portuguesas. Enquanto que uma sondagem de pesquisa é um ponto fixo no mapa e com níveis de ruído que se desenvolvem na maquinaria que se encontra na plataforma acima do nível das águas, há milhares e milhares de navios em movimento, a interferir na movimentação,comunicação e segurança de cetáceos.
A imagem seguinte mostra o número de acidentes/incidentes ocorridos com embarcações nos mares da União Europeia entre 2011 e 2016. Neste mapa é possível verificar que, só em águas portuguesas, ocorreram nesse intervalo de tempo 232 acidentes/incidentes
Fonte: European Maritime Safety Agency
Falácia 2:
É óbvio que o perigo chega diariamente ao litoral português devido ao intenso tráfego marítimo. Os números mostram que os riscos que enfrentamos todos os dias com o tráfego marítimo que entra nos nossos portos ou que atravessam as nossas águas territoriais pode ter um impacto potencialmente devastador. Ao largo da nossa costa, acontece, em média, um acidente/incidente a cada 9 ou 10 dias!
A imagem seguinte representa os navios tanques (petróleo bruto, produtos petrolíferos, gás natural, produtos químicos diversos... ) que à data de hoje, cruzam os oceanos e, em particular o Atlântico Norte.
Fonte: marinetraffic.com
Falácia 3: Os nossos oceanos são cruzados diariamente por centenas de navios tanque para o transporte de produtos petrolíferos e descarregam diariamente nas refinarias portuguesas cerca de 40 mil toneladas de petróleo. O mundo tem que perseguir novos paradigmas energéticos, mas deverá fazê-lo de forma sustentada, porque, em última análise, serão sempre os mais pobres a pagar a fatura. A oposição primária à pesquisa petrolífera, persegue objetivos políticos que pouco têm a ver com objetivos ambientais. Se assim não for, deveríamos, por exemplo, pedir aos nossos "ambientalistas políticos" ou "politico ambientalistas", para se pronunciarem, por exemplo, acerca da sobre exploração agrícola no Concelho de Odemira, ou acerca da sobre exploração turística do litoral do Concelho de Vila do Bispo, só para mencionar duas enormes preocupações ambientais presentes no nosso país
A imagem seguinte mostra o tráfego total de navios que, há data de hoje, cruzam os oceanos e, em particular o Atlântico Norte
Fonte: marinetraffic.com
Falácia 4: Todo o tráfego marítimo é movido por combustíveis fósseis e não existe tecnologia alternativa. Os carros que nos chegam as roupas que vestimos, a soja que comemos..... chegam-nos movidas a combustíveis fósseis. Pensar-se que no curto ou médio prazo poderemos viver sem petróleo é uma enorme falácia.
Numa palestra apresentada em Londres no dia 8 de Outubro de 2018 promovida pela GWPF - Global Warming Policy Foundation, Richard Lindzen especialista em física da atmosfera, Professor de Metereologia do MIT - Massachussets Tecechnological Institute, e membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, conclui assim a sua intervenção:
"E assim , chegamos a este ponto. Conjecturas que não são cientificamente razoáveis ou aceitáveis, suportadas por falsas evidências e repetidas incessantemente, tornaram-se em "conhecimento" politicamente correto e são usadas para promover uma reviravolta na civilização industrial. Aquilo que iremos deixar aos nossos netos não é um planeta estragado pelo progresso industrial, é um registo de uma imensa tolice e uma paisagem degradada por "quintas eólicas ferrugentas e campos de painéis solares decadentes". Não seremos poupados pelas falsas afirmações de que existe uma concordância científica de 97% dos cientistas sobre os malefícios do CO2, mas a disposição de muitos cientistas para se manterem "dormentes", irá provavelmente reduzir a confiança e o suporte para a ciência. Mas talvez isso não seja completamente mau, pelo menos no que diz respeito à "ciência oficial".
Há pelo menos um aspeto positivo na presente situação. Nenhuma das políticas propostas terá um impacto significativo nos gases com efeito estufa (o vapor de água é o principal gás de efeito estufa, que por sua vez é comandado pela atividade solar). Por isso, iremos continuar a sentir os benefícios de valores elevados de CO2, principalmente como fertilizante de plantas e pelo aumento da sua capacidade de resistência a situações de seca. Entretanto, o IPCC reclama a necessidade de prevenir um aumento de mais 0,5º C de temperatura, embora o aumento de 1º C de temperatura que ocorreu nas últimas dezenas de anos tenha sido acompanhado pelo maior aumento de bem-estar da história da Humanidade"
Termino dizendo que o mundo tem um enorme passivo ambiental que precisa de ser resolvido urgentemente: perda de biodiversidade, poluição e sobre-exploração de águas superficiais e subterrâneas, sobre-exploração agrícola, excesso de consumo de proteína animal e, de um modo geral o excesso de bens de consumo que suportam o nosso paradigma social. Quando nós, pessoas comuns, nos deixamos levar por uma estratégias de lutas titânicas pelo poder social, político, económico que transformam o CO2 e os combustíveis fósseis como o Satanás do século XXI, estamos, não só a querer esvaziar um barco que se está a afundar com um dedal, mas, mais do que isso, estamo-nos a comportar como "o cão que morde a mão do dono"!
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Este Blog propõe-se evidenciar informação estatística, técnica, científica e ambiental acerca das várias fontes de energia disponíveis em Portugal e no resto do Mundo. Estará aberto ao diálogo, de forma a poder ir ao encontro da compreensão da generalidade das pessoas. Será também um testemunho das minhas experiências e das minhas opiniões pessoais, que irão extravasar o âmbito desta temática, já que a energia é essencial e transversal a todos os aspectos da nossa vida pessoal e colectiva!
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
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