FALÁCIAS: "quando o cão morde a mão do dono!"
"O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se de falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão, podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso"
Referência: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%A1cia
A imagem seguinte mostra a intensidade de tráfego marítimo e a sua relação com a sondagem de pesquisa petrolífera que o consórcio GALP/ENI pretendia realizar a cerca de 50 kms da costa portuguesa
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As cores mais quentes indicam intensidade de tráfego mais elevada. A estrela preta indica a localização aproximada da sondagem proposta. Em 2016, o movimento de navios comerciais próximo da área de estudo foi o seguinte: 4.555 no Porto de Lisboa; 3.236 no Porto de Setúbal; Sines 4810. O movimento marítimo total no continente foi de 21.577.
Fonte: Marinetraffic.com, 2018.
Falácia 1:
Citando a Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP), o Jornal de negócios refere que a providência cautelar interposta pela PALP e que foi admitida pelo Tribunal de Loulé terá tido “por base uma alegada irregularidade de um processo conduzido pela Direcção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos”, que terá consistido, refere o jornal, na “não divulgação de estudos de monitorização de cetáceos quando este processo esteve em consulta pública”.
Ora, parar a pesquisa petrolífera por causa de uma inconformidade como a monitorização de cetáceos é no mínimo "risível", quando tomamos consciência das dezenas de milhares de embarcações que circulam diariamente em água territoriais portuguesas. Enquanto que uma sondagem de pesquisa é um ponto fixo no mapa e com níveis de ruído que se desenvolvem na maquinaria que se encontra na plataforma acima do nível das águas, há milhares e milhares de navios em movimento, a interferir na movimentação,comunicação e segurança de cetáceos.
A imagem seguinte mostra o número de acidentes/incidentes ocorridos com embarcações nos mares da União Europeia entre 2011 e 2016. Neste mapa é possível verificar que, só em águas portuguesas, ocorreram nesse intervalo de tempo 232 acidentes/incidentes
Fonte: European Maritime Safety Agency
Falácia 2:
É óbvio que o perigo chega diariamente ao litoral português devido ao intenso tráfego marítimo. Os números mostram que os riscos que enfrentamos todos os dias com o tráfego marítimo que entra nos nossos portos ou que atravessam as nossas águas territoriais pode ter um impacto potencialmente devastador. Ao largo da nossa costa, acontece, em média, um acidente/incidente a cada 9 ou 10 dias!
A imagem seguinte representa os navios tanques (petróleo bruto, produtos petrolíferos, gás natural, produtos químicos diversos... ) que à data de hoje, cruzam os oceanos e, em particular o Atlântico Norte.
Fonte: marinetraffic.com
Falácia 3: Os nossos oceanos são cruzados diariamente por centenas de navios tanque para o transporte de produtos petrolíferos e descarregam diariamente nas refinarias portuguesas cerca de 40 mil toneladas de petróleo. O mundo tem que perseguir novos paradigmas energéticos, mas deverá fazê-lo de forma sustentada, porque, em última análise, serão sempre os mais pobres a pagar a fatura. A oposição primária à pesquisa petrolífera, persegue objetivos políticos que pouco têm a ver com objetivos ambientais. Se assim não for, deveríamos, por exemplo, pedir aos nossos "ambientalistas políticos" ou "politico ambientalistas", para se pronunciarem, por exemplo, acerca da sobre exploração agrícola no Concelho de Odemira, ou acerca da sobre exploração turística do litoral do Concelho de Vila do Bispo, só para mencionar duas enormes preocupações ambientais presentes no nosso país
A imagem seguinte mostra o tráfego total de navios que, há data de hoje, cruzam os oceanos e, em particular o Atlântico Norte
Fonte: marinetraffic.com
Falácia 4: Todo o tráfego marítimo é movido por combustíveis fósseis e não existe tecnologia alternativa. Os carros que nos chegam as roupas que vestimos, a soja que comemos..... chegam-nos movidas a combustíveis fósseis. Pensar-se que no curto ou médio prazo poderemos viver sem petróleo é uma enorme falácia.
Numa palestra apresentada em Londres no dia 8 de Outubro de 2018 promovida pela GWPF - Global Warming Policy Foundation, Richard Lindzen especialista em física da atmosfera, Professor de Metereologia do MIT - Massachussets Tecechnological Institute, e membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, conclui assim a sua intervenção:
"E assim , chegamos a este ponto. Conjecturas que não são cientificamente razoáveis ou aceitáveis, suportadas por falsas evidências e repetidas incessantemente, tornaram-se em "conhecimento" politicamente correto e são usadas para promover uma reviravolta na civilização industrial. Aquilo que iremos deixar aos nossos netos não é um planeta estragado pelo progresso industrial, é um registo de uma imensa tolice e uma paisagem degradada por "quintas eólicas ferrugentas e campos de painéis solares decadentes". Não seremos poupados pelas falsas afirmações de que existe uma concordância científica de 97% dos cientistas sobre os malefícios do CO2, mas a disposição de muitos cientistas para se manterem "dormentes", irá provavelmente reduzir a confiança e o suporte para a ciência. Mas talvez isso não seja completamente mau, pelo menos no que diz respeito à "ciência oficial".
Há pelo menos um aspeto positivo na presente situação. Nenhuma das políticas propostas terá um impacto significativo nos gases com efeito estufa (o vapor de água é o principal gás de efeito estufa, que por sua vez é comandado pela atividade solar). Por isso, iremos continuar a sentir os benefícios de valores elevados de CO2, principalmente como fertilizante de plantas e pelo aumento da sua capacidade de resistência a situações de seca. Entretanto, o IPCC reclama a necessidade de prevenir um aumento de mais 0,5º C de temperatura, embora o aumento de 1º C de temperatura que ocorreu nas últimas dezenas de anos tenha sido acompanhado pelo maior aumento de bem-estar da história da Humanidade"
Termino dizendo que o mundo tem um enorme passivo ambiental que precisa de ser resolvido urgentemente: perda de biodiversidade, poluição e sobre-exploração de águas superficiais e subterrâneas, sobre-exploração agrícola, excesso de consumo de proteína animal e, de um modo geral o excesso de bens de consumo que suportam o nosso paradigma social. Quando nós, pessoas comuns, nos deixamos levar por uma estratégias de lutas titânicas pelo poder social, político, económico que transformam o CO2 e os combustíveis fósseis como o Satanás do século XXI, estamos, não só a querer esvaziar um barco que se está a afundar com um dedal, mas, mais do que isso, estamo-nos a comportar como "o cão que morde a mão do dono"!
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Este Blog propõe-se evidenciar informação estatística, técnica, científica e ambiental acerca das várias fontes de energia disponíveis em Portugal e no resto do Mundo. Estará aberto ao diálogo, de forma a poder ir ao encontro da compreensão da generalidade das pessoas. Será também um testemunho das minhas experiências e das minhas opiniões pessoais, que irão extravasar o âmbito desta temática, já que a energia é essencial e transversal a todos os aspectos da nossa vida pessoal e colectiva!
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
CO2 - e o aquecimento global --- o alimento de uma máquina burocrática que vale hoje dezenas de milhares de milhões de euros
Sou um "herege climático"! É assim que a ortodoxia climática do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) designa todos aqueles que questionam e não seguem a "religião oficial". Há uma tal intolerância sobre este tema, que a contestação da "religião oficial" da ortodoxia climática, é a afirmação mais politicamente incorreta que se pode produzir nos nossos dias.
"Acredito" nas alterações climáticas (que eu prefiro chamar de variabilidade climática), mas não "acredito que o CO2 do IPCC seja o "Franknstein" dessas alterações. O IPCC , como qualquer organismo corporativo, é uma organização política e as suas conclusões são políticas. Dessa forma, uma teoria sobre o clima transformou-se numa ideologia política. E assim, os cientistas climáticos precisam de um problema para angariar fundos para a sua investigação, que todos os anos gere milhares de milhões de euros.
Hoje em dia, duvidar da ortodoxia climática, é quase criminoso e fecha as portas à investigação e a muitos investigadores. Se quisermos investigar um qualquer fungo na casca do sobreiro, só conseguiremos financiamento se na apresentação do projeto relacionarmos o fungo com as alterações climáticas da ortodoxia do IPCC.
Há censura e intimidação e o "aquecimento global" tornou-se numa religião em que quem discorda é herético. Este estado de espírito, ficou aliás bem patente, na recente conferência da Universidade do Porto que reuniu cientistas "heréticos climáticos", que foram, literalmente, lançados na fogueira por defensores da religião oficial, na exata proporão com que se lançavam bruxas na fogueira no tempo da inquisição.
Eu não sou cientista, mas vivo na companhia de muitos cientistas credenciados que dizem que a "ciência oficial" é fraca e incerta. Refiro-me a cientistas como por exemplo:
Professor Tim Ball - Departamento de Climatologia da Universidade de Winnipeg - Canadá
Professor Carl Wunsch - Departamento de Oceanografia do MIT
Dr. Nigel Calder - foi editor da New Scientist, uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo
Professor Syun Ichi Axasouf - Diretor do Centro de Pesquisa Internacional do Ártico
Patric Moore - co fundador da Green Peace
Professor Paul Reiter - especialista em entomologia (malária) do Instituto Pasteur e membro da Organização Mundial de Saúde
Dr Roy Spencer - Chefe de equipa de satélites meteorológicos da NASA.
Professor Ian Clark - Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Otawa, Canadá
Professor Philip Stott - Departamento de Biogeografia da Universidade de Londres
São muitos os cientistas que contestam as teorias oficiais do clima e muitos afirmam já terem sido coagidos a aceitar integrar a lista dos cientistas da religião oficial, sendo que alguns deles tiveram que ameaçar o IPCC com processos em tribunal para não integrarem as fileiras daquela religião.
A teoria prevalecente, é que o desenvolvimento industrial suportado pelos combustíveis fósseis e a consequente libertação de CO2, está a causar o aumento da temperatura.
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| Gráfico da Nasa que mostra o aumento da temperatura desde 1850 até aos nossos dias |
Desde 1850, (ver gráfico acima) que a temperatura aumentou cerca de 0,6 graus, mas este aquecimento começou muito antes dos carros e dos aviões terem sido inventados. Mais relevante ainda, é que a maior parte do aquecimento aconteceu antes de 1940 quando a industrialização ainda era incipiente. Mas ainda mais interessante, durante as 4 décadas seguintes a 1940 a temperatura baixou e em meados dos anos 70 do século passado, havia reportagens televisivas que mostravam preocupação pelo arrefecimento do planeta.
O CO2, é um gás natural produzido "por todas as vidas" - vulcões, bactérias, vegetação a morrer, oceanos e todos os animais, sendo que os humanos representam uma parte menor. O Planeta Terra já teve 10 vezes mais CO2 do que tem nos dias de hoje e nunca se conseguiu associar alterações climáticas ao CO2 e, em particular, nenhuma das alterações climáticas dos últimos 1000 anos pode ser explicada pelo CO2.
Durante este intervalo de tempo, (ver gráfico acima) a Europa passou por um período de aquecimento que correspondeu a um período de expansão económica, designado por "Medieval Warm Period" -- também conhecido por "Medieval Climate Optimum" -- mas passou também por um período de arrefecimento designado por "Little Ice age" e que correspondeu a um período de depressão económica. A generalidade dos cientistas atribuem esta variabilidade climática a variações da atividade solar, variações da atividade vulcânica e a alterações na circulação oceânica.
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| Gráfico de variação da temperatura nos últimos 1000 anos |
O CO2 representa 0,054% do total de gases na atmosfera (oxigénio, argon, nitrogénio,...), sendo que essa percentagem é equivalente a 0,54 milímetros num metro. O mais importante gás de efeito estufa é sem qualquer querela científica o vapor de água, que representa cerca de 95% dos gases com efeito estufa.
Mas afinal, o que é que se passa com os gases de efeito de estufa? Eles encontram-se no meio da tropoesfera, a cerca de 10 kms de altitude, que é onde o aquecimento deveria ser mais elevado. Mas na realidade, isso não está a acontecer. A temperatura está mais alta à superfície o que é um indicador de que o aquecimento não está a ser provocado por gases de efeito estufa.
Mas se não são os gases de efeito estufa, o que é que está a aquecer o planeta?
A atividade solar é há muito tempo investigada e está cada vez mais bem conhecida. Os "Sun Spots" são na verdade gigantescos campos magnéticos. Se tivéssemos olhos RaioX, perceberíamos bem que a nossa "simpática estrela" é na realidade muito violenta!
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| Sun spots |
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| Correlação quase perfeita entre temperatura e atividade solar nos últimos 100 anos |
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| Correlação quase perfeita entre temperatura e atividade solar nos últimos 400 anos |
Por outro lado a Terra está a ser constantemente bombardeada por partículas sub atómicas (raios cósmicos). A interação destas partículas cósmicas com o vapor de água, dá origem a gotículas de água e à consequente formação de nuvens que têm um efeito de arrefecimento porque refletem os raios solares antes de atingirem da superfície terrestre.
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| As nuvens têm um efeito de arrefecimento na superfície da Terra, porque refletem os raios solares |
Quando a atividade solar é maior e os ventos solares são mais fortes, há menos partículas cósmicas que chegam à Terra e menor formação de nuvens. Ou seja, o clima é controlado por nuvens, as nuvens são controladas por Raios Cósmicos que por sua vez são controlados pelos ventos solares. Quantos mais raios cósmicos atingirem a terra, maior é a formação de nuvens. Quanto menos Raios Cósmicos atingirem a Terra menor é a formação de nuvens. Deste modo, como as nuvens têm um efeito de arrefecimento sobre a superfície terrestre se houver menos nuvens a temperatura irá subir. O SOL, vital para a vida, é também o controlador da variabilidade climática do Planeta. Se a atividade solar é maior a temperatura aumenta, se a ativdade solar é menor a temperatura diminui!
Mas então porque é que aprecem gráficos de correlação CO2/ temperatura, nomeadamente o gráfico que tornou famoso Al Gore no seu filme Verdade Inconveniente e que a seguir se reproduz?
Na realidade, a resposta é bastante simples. Quanto mais elevada for a temperatura dos oceanos, maior é a libertação de CO2 retido nas águas do mar. Quanto menor for a temperatura da água dos oceanos, maior é a sua capacidade de absorção de CO2. Ora o que a Verdade Inconveniente diz é que a temperatura aumentou por causa do CO2. Na realidade, os argumentos contraditórios dizem que, de facto a temperatura aumentou, o que provocou uma maior libertação de CO2 das águas do mar e que de facto, há um desfasamento temporal de cerca de 800 anos entre o aumento da temperatura e o aumento de CO2. É o aumento de temperatura que provoca mais CO2 e não o seu contrário.
Dito isto, estou cada vez mais convencido de que estamos a distorcer os nossos esforços científicos com a investigação de uma área científica relativamente pequena. Poderemos fazer a seguinte analogia: o meu carro não anda e eu vou ignorar o motor e a transmissão e vou modelar a minha avaria a partir de um parafuso da roda esquerda. Todos os modelos computacionais para previsões futuras do clima assentam no CO2, porque é mais importante e mais lucrativo produzir um modelo que seja interessante do que um modelo que esteja correto. Há uma tendência para o dramatismo e até os mais elementares princípios jornalísticos neste domínio, parecem estar a ser abandonados.
Há muitas verdades inconvenientes na ortodoxia climática do IPCC. Talvez a maior de todas elas seja o facto de muitos "cientistas" desse organismo não serem de facto cientistas. O aquecimento global antropógenico, criou uma indústria de burocratas ambientalistas que não abrem mão dos privilégios conquistados. Foi a conservadora Margaret Thatcher a primeira política a acreditar na teoria do “efeito estufa”. Ela estava preocupada com o aumento do poder dos árabes (petróleo) e com o aumento do poder dos sindicatos esquerdistas (mineradores de carvão), e então decidiu que era preciso ignorá-los e investir em energia nuclear. Para convencer o público, usou como propaganda a teoria de que os combustíveis fósseis causariam o aumento da temperatura, por meio de efeito estufa, e que isso significava uma única coisa: catástrofe climática. Hoje, as esquerdas de todo o mundo usam a bandeira ambiental de um governo de direita na sua agenda política. Essa agenda política foi incrementada de forma muito eloquente pelos saudosistas da União Soviética a partir do final da década de 80 do século passado, porque encontraram nessa bandeira um foco de unificação de uma ideologia que desmoronou. É por isso que as "causas verdes" estão hoje associadas às esquerdas políticas - veja-se o caso português em que os Verdes estão em coligação eterna com o PCP.
Quero ainda referir um pequeno facto científico e histórico que não faz parte da retórica do CO2 climático, não sei se por ignorância ou estratégia:
O mosquito da malária é uma das armas de arremesso dos ambientalistas portugueses. No entanto, deveriam saber que esse bichinho não é uma exclusividade dos trópicos, que está se alastrando agora devido ao suposto “efeito estufa”. A maior epidemia de malária já registada ocorreu dentro do círculo ártico, nos anos 1920, na União Soviética, tendo contaminado certa de 12 milhões de pessoas e matado 600 mil.
Hoje em dia tornou-se comum explicar tudo e mais alguma coisa como resultado das alterações climáticas, mas a verdade é que o Planeta nunca se aquieta. Encontra-se num fluxo constante. No último milhão de anos houve uma idade do gelo a cada 100 mil anos e a vida continuou! Há dezenas de milhares de anos que o Homo sapiens é o predador do topo da pirâmide. Ao longo da sua existência o Homo sapiens está associado a grandes catástrofes ambientais, apesar de haver investigadores que querem associar essas catástrofes do passado às alterações climáticas. Há cerca de 45 mil anos, por exemplo, quando o Homo sapiens chegou à Austrália, em poucos milhares de anos, 23 das 24 espécies animais Australianas que pesavam 50 ou mais kilos, desapareceram. O mesmo aconteceu na América do Norte com a chegada do Homo sapiens há 14 mil anos: 34 dos seus 47 géneros de grande mamíferos foram extintos em pouco tempo e a América do Sul perdeu 50 dos seus 60 géneros de grandes mamíferos com a chegada do Homo sapiens
O mundo precisa de cuidados e o homem tem que aprender a cuidar do Planeta. O uso super intensivo dos solos é um enorme problema; a perda de biodiversidade é um enorme problema; a destruição das florestas tropicais é um enorme problema; o subdesenvolvimento humano onde existem dois mil milhões de pessoas sem electricidade, é um enorme problema; o continente africano que depende em 80% do carvão vegetal para as suas necessidades energéticas e a consequente destruição florestal é um enorme problema!...
O CO2 é só um parafuso da Roda, que serve para alimentar uma máquina burocrática de interesses políticos e ambientais que valem hoje dezenas e dezenas de milhares de milhões de euros!
domingo, 2 de setembro de 2018
Nos próximos dias 7 e 8 de Setembro, irá decorrer na Universidade do Porto, uma conferência Internacional subordinada ao tema "Ciência Básica nas Alterações Climáticas.
Esta conferência surge na sequência da conferência subordinada a este tema e realizada em Londres - 2016 e propõe-se alargar o debate científico sobre os estudos científicos ligados às alterações climáticas.
Um dos organizadores e oradores desta conferência é o Professor Jubilado - Nils-Axel Mörner, -- que foi Diretor do Departamento de Paleogeofísica e Geodinâmica da Universidade de Estocolmo e é um dos cientistas críticos do IPCC - Painel Internacional para as Alterações Climáticas.
O debate científico continua em aberto e, pessoalmente eu sempre duvidei de unanimidades. Por isso estarei sempre disponível para promover o contraditório. Antecipo, aqui, algumas das suas notas e conclusões sobre este tema.
"O estudo sobre
mudanças climáticas e mudanças no nível do mar foram inicialmente estudados
pelas disciplinas geológicas, paleontológicas e geográficas. Essa análise,
significou uma ancoragem profunda nos fatos observacionais enquanto a meteorologia
foi confinada ao estudo e previsão do tempo. É uma tragédia científica que
muito trabalho sobre mudança climática e variabilidade do nível do mar seja
agora (após o projeto do IPCC _Painel Internacional para as Alterações
Climáticas - ter começado no final dos anos 80) assumido pela disciplina
meteorológica, que não tem tradição em análises históricas.
• O que hoje frequentemente chamamos de “clima extremo”, não é
de forma alguma extremo e incomum; em vez disso, é uma característica
natural das nossas “máquinas meteorológicas”. As análises de tempo /
evento não registam tendências que apontem para um aumento dramático em
relação ao passado - presente.
• O CO2 como principal impulsionador da mudança climática é um
grave erro. Na verdade, é baseado em "um erro elementar e grave
que até agora forneceu o pretexto para uma preocupação mundial equivocada sobre
a mudança climática". Em 2100, a temperatura provavelmente não
aumentará mais que 0,3 ° C. As emissões humanas adicionam apenas 18
ppm e a natureza adiciona 392 ppm dos atuais 410 ppm de CO2 na atmosfera,
o que implica que o efeito da temperatura da emissão humana é insignificante.
• Um aumento do nível de CO2 na atmosfera atua como fertilizante
para o Reino Vegetal, na terra assim como no mar.
• A acidificação oceânica é um conceito atual não fundado na
oceanografia e na história geológica . De fato, a vida
marinha floresce onde o CO2 é abundante. O dióxido de carbono na água do
mar não dissolve os recifes de coral, mas é essencial para a sua
sobrevivência. A Grande Barreira de Corais convive bem com o CO2.
• Variações na pressão atmosférica total foram propostas como
uma explicação alternativa às mudanças observadas no clima.
• O Sol e as variações na atividade solar com o tempo são,
obviamente, os principais impulsionadores das mudanças no clima e nos
parâmetros relacionados no Planeta Terra. Os movimentos planetários e
seus efeitos na variabilidade solar geram mudanças na luminosidade e no vento
solar. A variabilidade solar (o efeito do
vento solar no campo geomagnético e sua capacidade de proteção) é registrada
pelas mudanças nas concentrações atmosféricas de isótopos 14C e 10Be. Um
número de ciclos é detectado, o que coincide com a batida planetária no
sol. Há um claro ciclo de 60 anos que é documentado num grande
número de parâmetros da Terra indicando que ele deve ser impulsionado
principalmente pelas variações do vento solar (também ligadas a mudanças na luminosidade). As alternâncias entre a “Grande Solar Máxima” e a “Grande Solar Mínima” são especialmente poderosas
no clima (alternância de fases quentes com Little Ice Ages – Pequenas Idades do
Gelo), circulação oceânica (por exemplo, a Corrente do Golfo que penetra
até o Mar de Barents alternando com restrições a baixas latitudes) e
mudanças no nível do mar (alto nível do mar no norte e baixo nível do mar
na região equatorial, alternando com baixos níveis do mar no norte altos
níveis do mar na região equatorial).
Espera-se que o futuro Grande Mínimo Solar (com as condições climáticas da Pequena Idade do Gelo ) ocorra por volta de 2030-2050 e por volta de 2080-2100.
Espera-se que o futuro Grande Mínimo Solar (com as condições climáticas da Pequena Idade do Gelo ) ocorra por volta de 2030-2050 e por volta de 2080-2100.
• A questão do aquecimento
global, mudanças climáticas e aumento rápido do nível do mar é uma triste
politização da geociência com o início do projeto do IPCC. Muito
corretamente, tem sido chamado de "A maior mentira já contada".
Em jeito de conclusão, gostaria de fazer a seguinte analogia: a atmosfera tem hoje 410 ppms de CO2. Há cerca de 70 anos (em 1950) os níveis de CO2 na atmosfera eram de cerca de 310 ppm (ou seja menos 100 ppms). Esta diferença é equivalente a 0,1 milímetros num metro. Ora, na minha perspectiva não científica, afirmar que um aumento de 100 ppms de CO2 na atmosfera está a ser fatal para o clima da Terra, é a mesma coisa que afirmar que a casa ruiu porque o metro com que eu medi a parede tinha 0,1 milímetros a mais!!!
O debate continua e não sei quem tem razão, mas não gosto da forma inquisitório e maniqueísta como os "crentes" abordam esta questão. Gosto tanto da vida como aqueles que mais gostam dela! Mas não sou ingénuo: há lobbies e há lobbies!!
quarta-feira, 18 de julho de 2018
A PARÁBOLA DO ELEFANTE E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e reuni-os no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e colocou-o diante do grupo. Em seguida, conduzindo-os pela mão, foi levando os cegos até ao elefante para que o apalpassem. Um apalpava a barriga, outro a cauda, outro a orelha, outro a tromba, outro uma das pernas. Quando todos os cegos tinham apalpado o paquiderme , o príncipe ordenou que cada um explicasse aos outros como era o elefante, então, o que tinha apalpado a barriga, disse que o elefante era como uma enorme panela. O que tinha apalpado a cauda até aos pelos da extremidade discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma vassoura. “Nada disso “, interrompeu o que tinha apalpado a orelha. “Se alguma coisa se parece, é com um grande leque aberto”. O que apalpara a tromba deu uma risada e interferiu: “Vocês estão por fora. O elefante tem a forma, as ondulações e a flexibilidade de uma mangueira de água…”. “Essa não”, replicou o que apalpara a perna, “ele é redondo como uma grande mangueira, mas não tem nada de ondulações nem de flexibilidade, é rígido como um poste…”. Os cegos envolveram-se numa discussão sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados, e que o certo era o que ele dizia. Evidentemente cada um apoiava-se na sua própria experiência e não conseguia entender como os demais podiam afirmar o que afirmavam. O príncipe deixou-os falar para ver se chegavam a um acordo, mas quando percebeu que eram incapazes de aceitar que os outros podiam ter tido outras experiências, ordenou que se calassem. “O elefante é tudo isso que vocês falaram.”, explicou. “Tudo isso que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam juntar as experiência de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante.”
Nesta parábola, as alterações climáticas, são o nosso elefante. As alterações climáticas, são atualmente protagonistas de um dos mais intensos e contenciosos debates científicos e sociais da humanidade.
Nenhum cientista tem dúvidas: as alterações climáticas são reais e sempre aconteceram ao longo dos últimos 570 milhões de anos, que é o período até onde é possível fazer a reconstituição paleoclimática do Planeta Terra. A questão que permanece em aceso debate científico é se as alterações a que estamos a assistir atualmente se devem às acelerações das emissões de CO2 ou se se devem a causas naturais que sempre ocorreram ao longo da história do Planeta.
A verdade é que há um número crescente de cientistas que considera que a "política tem andado à frente da comunidade científica" e que existe um consenso científico fabricado e moldado por forças políticas dentro do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) Essa força crescente de contestação científica, considera que é uma simplificação errada eleger o CO2 como a principal alavanca das alterações climáticas e refere aquilo que é transversalmente reconhecido por toda a comunidade científica, incluindo aqueles que consideram o CO2 como o principal controlador do clima: há uma variação natural do clima e, portanto é necessário desenvolver uma teoria unificadora "CO2 -- causas naturais!"
É aqui que entra o nosso elefante: é preciso olhar para o animal inteiro! A comunidade científica ainda não sabe "desembrulhar" e perceber de que forma é que a produção dos efeitos antropogénicos do CO2 e as causas naturais contribuem para as alterações climáticas.
Facto 1: o recente aumento de temperatura que hoje se verifica, começou há 300 anos, no final da "pequena idade do gelo" e nós não tivemos nada a ver com o assunto. Esse foi o momento mais frio do planeta nos últimos 10 mil anos.
Facto 2: O aumento do nível do mar começou por volta de 1860, muito antes das emissões de CO2 se terem tornado relevantes, o que aconteceu depois de 1950.
Facto 3: O mar contem cerca de 45 vezes mais CO2 do que a atmosfera e a temperatura do mar determina qual a quantidade de CO2 que pode ser absorvida: quanto mais fria a água do mar, maior a quantidade de CO2 que pode ser absorvida.
Facto 4: Os níveis de CO2 existentes na atmosfera representam neste momento 0,4% (ou 400 ppm) do total da composição atmosférica e têm vindo a baixar nos últimos 600 milhões de anos
A Terra passa por variações da sua órbita (os chamados ciclos de Milankovich) em períodos que se repetem a cada 100 mil anos e muitos cientistas defendem que o aumento ou diminuição da temperatura causada por essa variação, induz uma maior ou menor capacidade das águas do mar para absorver CO2 e que portanto é a temperatura que provoca um aumento do CO2 e não o CO2 que provoca um aumento da temperatura.
Enfim, muitas perguntas ainda à procura de resposta e, por isso, não podemos confundir ou aceitar de mão beijada correlação e causalidade. Ou seja, as pessoas molham-se muito mais à chuva, durante o dia do que durante a noite,. Mas isso não quer dizer que chova mais durante o dia do que de noite; significa é que anda mais gente na rua de dia do que de noite!!!
Mas há correlações de causalidade que são verdadeiras e uma delas tem a ver com a expectativa e a qualidade de vida com a "era do CO2": nos últimos 200 anos o PIB mundial aumentou 110 vezes; a população aumentou 6,2 mil milhões de pessoas e a expectativa de vida que era de 43 anos, duplicou.
Vivemos num mundo cuja matriz energética depende 80% dos combustíveis fósseis. 75% da energia em África é proveniente de carvão vegetal, o que está a levar à destruição das florestas africanas e à consequente desertificação do continente. Neste momento há cerca de 3750 centrais eléctricas a carvão a funcionar em todo o mundo e há cerca de 1600 em fase de planeamento.
Vivemos num mundo global, mas não posso deixar de pensar local. Por isso manifesto aqui, mais uma vez, a minha total desconformidade com uma agenda redutora - assente numa manifesta falta de conhecimento e abertura ao diálogo - que se opõe à realização de sondagens de pesquisa de petróleo e gás natural em Portugal. É assim uma espécie de cão que morde a mão do dono: acordamos com um despertador feito à base de petróleo; escovamos os dentes com uma escova de dentes feita à base de petróleo: tomamos uma aspirina que também contem petróleo; calçamos os ténis feitos de petróleo; mandamos mensagens no facebook com um telemóvel feito a partir de petróleo; entramos no carro ou nos transportes públicos que andam a petróleo e vamos para a manifestação contra o petróleo.
É preciso parar com a desflorestação, com a perda de biodiversidade, com a sobre-exploração do Planeta. A gestão da água tem que ser uma prioridade: temos que implementar o cálculo da nossa pegada hídrica e promover processos de certificação hídrica de edifícios e equipamentos. Temos que promover a eficiência energética a todos os níveis da nossa sociedade. Temos que reduzir o desperdício. Temos que caminhar para um sistema que não seja alimentado por cada vez mais e maior consumo! Temos que fazer o caminho das energias renováveis, mas temos de o saber fazer sem destruir aquilo que é a base da nossa civilização, porque se assim for, os mais pobres serão os que mais irão sofrer!
Em suma, temos que saber olhar o elefante de corpo inteiro, porque quando polarizamos a atenção numa só coisa, estamos a repetir os cegos da parábola e ficaremos irremediavelmente amarrados a uma visão unilateral e parcial da realidade. A sensatez e a inteligência, obriga a levar em conta a multiplicidade de factores que estão em jogo para se chegar a uma síntese, o mais unificadora possível da nossa presente realidade.
quinta-feira, 21 de junho de 2018
O preço dos combustíveis na União Europeia: gasolina super - gasóleo - imposto sobre os produtos petrolíferos(ISP). Fonte: https://ec.europa.eu/energy/en/data-analysis/weekly-oil-bulletin
Em dia de debate e votação sobre a redução do "imposto sobre os produtos petrolíferos" na Assembleia da República, gostaria de partilhar convosco 3 mapas da União Europeia atualizados em 18 de Junho de 2018, onde são apresentados, respetivamente, o custo do litro de gasóleo, o custo do litro de gasolina e a percentagem de impostos que recaem sobre estes produtos, nos diversos países da União Europeia.
Na União Europeia, o valor médio de impostos é de 59% para a gasolina e de 54% para o Diesel. Já em Portugal o valor dos impostos representa 61% na gasolina e 53% no Gasóleo. Constata-se, assim que o nosso país está a um ponto percentual abaixo do valor médio de impostos para o gasóleo e dois pontos percentuais acima da média de impostos para a gasolina.
Em dia de debate e votação sobre a redução do "imposto sobre os produtos petrolíferos" na Assembleia da República, gostaria de partilhar convosco 3 mapas da União Europeia atualizados em 18 de Junho de 2018, onde são apresentados, respetivamente, o custo do litro de gasóleo, o custo do litro de gasolina e a percentagem de impostos que recaem sobre estes produtos, nos diversos países da União Europeia.
Na União Europeia, o valor médio de impostos é de 59% para a gasolina e de 54% para o Diesel. Já em Portugal o valor dos impostos representa 61% na gasolina e 53% no Gasóleo. Constata-se, assim que o nosso país está a um ponto percentual abaixo do valor médio de impostos para o gasóleo e dois pontos percentuais acima da média de impostos para a gasolina.
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| Custo por litro de gasóleo na União Europeia - As cores mais escuras, representam valores mais elevados |
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| Custo por litro da Gasolina na União Europeia - As cores mais escuras representam valores mais elevados |
Percentagem de imposto aplicado nos diferentes países da União Europeia.
Bomba da esquerda - gasolina. Bomba da direita - gasóleo
Código de cores: Verde< 50%; amarelo 50% - 55%; laranja 55% - 60%; vermelho > 60%
Sobre este tema, apraz-me fazer algumas considerações que poderão ser consideradas politicamente incorrectas. Primeiro, gostaria de salientar que o preço baixo dos combustíveis nos últimos anos, tiveram em Portugal o efeito perverso de aumentar a nossa intensidade energética, ou seja foi necessário mais energia por milhão de euros de PIB porque houve um desinvestimento em eficiência energética. Depois importa referir que, se as cidades decidissem baixar os limites de velocidade (pelo menos em parte das suas áreas urbanas) de 50 kms/hora para 40 kms/hora, ou mesmo 30 kms/hora (no interior dos seus Centros Históricos,) e se todos os Portugueses decidissem cumprir escrupulosamente os limites de velocidade estabelecidos dentro e fora das cidades, e cumprir regras de condução eficiente, isso seria equivalente a uma redução que poderia variar entre 15% e 20% do consumo de combustível. Seria bom para o ambiente, seria bom para as finanças pessoais e nacionais, seria bom para a segurança rodoviária, num país onde o número de acidentes rodoviários tem vindo a aumentar.
Mas não sou inocente e sei que uma coisa é aquilo que é e outra coisa é aquilo que gostaríamos que fosse. E neste momento aquilo que se passou hoje na Assembleia da Republica, não foi uma genuína preocupação com o bem estar dos portugueses, mas sim um conjunto de interesses políticos a testar as tendências das eleições que se aproximam.
Sou da opinião que se possa aliviar, desde já, a carga do ISP para empresas, incluindo taxis, mas discordo que se proponha uma quebra generalizada de receita a meio de um ano orçamental. O momento certo para o fazer, é na discussão do próximo orçamento
E já agora, gostaria de ouvir opiniões dos ambientalistas, que acham que pesquisar petróleo em Portugal é um crime de "lesa-pátria", sobre o paradoxo dos combustíveis baratos!
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quarta-feira, 13 de junho de 2018
ÁGUAS SUBTERRÂNEAS EM PORTUGAL
Fonte: SNIRH - Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos
O mundo, vive uma crise de água à escala global. Há milhões de pessoas sem acesso a água potável e, lugares do mundo, que hoje assumem a água como um dado adquirido, caminham a passos largos para uma situação de escassez devido às alterações climáticas. Algumas guerras do presente e e muitas das guerras do futuro serão travadas, não por causa do petróleo, mas por causa da água. É urgente desenvolver uma nova cultura que coloque a água na primeira linha da agenda: a água acima de tudo!
Portugal está na linha da frente dos países que irão sofrer cada vez mais com a escassez de água, como ficou dramaticamente assinalado pela seca que nos assolou em 2017. Secas extremas irão fazer parte do nosso futuro e é necessário aprofundar o conhecimento dos nossos recursos hídricos, de forma a permitir uma gestão cada vez mais eficaz da água e, por natureza de razão,uma gestão mais eficaz do nosso ordenamento territorial. Por isso, irei hoje falar de águas subterrâneas em Portugal.
A distribuição dos recursos hídricos subterrâneos em Portugal continental está intimamente relacionada com as acções geológicas que moldaram o nosso território. O país encontra-se dividido em quatro grandes Unidades Hidrogeológicas: Maciço Antigo; Orla Ocidental; Bacia Tejo-Sado; Orla Meridional.
Cada uma dessas Unidades Hidrogeológicas, está dividida em diversos Sistemas Aquíferos, embora haja zonas dentro dessa Unidades onde não foi definido qualquer Sistema Aquífero. Isso não significa a inexistência de aquíferos, mas apenas que têm pequena importância de carácter local ou onde, eventualmente, poderá existir insuficiente conhecimento para a sua caracterização. Um Sistema Aquífero, é um domínio espacial limitado em superfície e em profundidade, onde existem vários aquíferos que podem estar ou não relacionados entre si e que pela sua dimensão constituem uma unidade prática de investigação e exploração.
O Maciço Antigo, (também designado por Maciço Ibérico ou Maciço Hespérico), é constituído fundamentalmente por rochas eruptivas e metassedimentares, dispõe, em geral, de poucos recursos, embora se assinalem algumas excepções, normalmente relacionadas com a presença de maciços calcários. Esta Unidade Hidrogeológica, dispõe em geral de poucos recursos e está subdividida em 10 sistemas aquíferos, cujo suporte litológico é constituído, maioritariamente, por calcários, quartzitos e gabros paleozóicos, depósitos de idade terciária e terraços e cascalheiras que ocupam depressões instaladas no soco antigo.
A figura abaixo, mostra a distribuição dos 10 sistemas aquíferos do Maciço Antigo
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| Distribuição dos 10 sistemas aquíferos do Maciço Antigo |
- rochas detríticas terciárias e quaternárias (areias, areias de duna, terraços, aluviões, etc.)
- arenitos e calcários cretácicos
- calcários do Jurássico
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| Distribuição espacial dos sistemas aquíferos da Orla Ocidental |
- formações quaternárias (aluviões e terraços)
- formações terciárias, fundamentalmente pliocénicas e miocénicas (Grés de Ota, Calcários de Almoster, Série greso-calcária, etc.)
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| Distribuição espacial dos 4 sistemas aquíferos da Bacia Tejo-Sado |
- formações plioquaternárias (areias e cascalheiras continentais, areias de duna, etc.)
- formações miocénicas, fundamentalmente de fácies marinha
- formações detríticas e carbonatadas cretácicas
- formações calcárias e dolomíticas do Jurássico.
A figura abaixo, mostra a distribuição espacial dos 17 sistemas aquíferos da Orla Meridional
De acordo com o Jornal Público de 22 de Novembro de 2017, existem em Portugal cerca de 60.000 captações superficiais e subterrâneas licenciadas (1 captação a cada 1,5 kms2) e só entre os dia 1 de Junho e 30 de Setembro de 2017, foram realizadas 3467 novas captações de água subterrânea (30 captações por dia) e regularizadas 1769 já existentes.
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| Distribuição espacial dos 17 Sistemas Aquíferos da Orla Meridional |
Aos números evidenciados pelo Jornal Público, eu acrescento que, haverá muitos mais milhares de captações de água subterrânea realizadas ao longo dos anos em Portugal sem o devido licenciamento. Mas mais grave ainda, são as sondagens realizadas com licenciamento, com todas as formalidades cumpridas, mas cujo relatório entregue à respetiva entidade licenciadora - ARH (Administração Região Hidrográfica), poderá não corresponder à verdade ou, no mínimo, estar tecnicamente mal elaborado. Para além disso, a estrutura em subsuperfície da sondagem de captação, não é visível e pode facilmente não corresponder aos parâmetros inicialmente determinados.
Esta situação deve-se a dois fatores fundamentais: carência de Recursos Humanos nas Regiões Hidrográficas, capazes de aprofundar os níveis de investigação e de fazer uma verdadeira fiscalização em tão elevado número de captações e ainda, devido à "desvalorização" dos profissionais de Geologia, que existe em muitas empresas de sondagens de captação de águas subterrâneas.
O resultado é que, para além das sondagens institucionais (Câmaras, ou algumas empresas com rigorosos cadernos de encargos, nomeadamente empresas de águas termais), que tiveram uma adequada fiscalização e acompanhamento técnico, em muitas outras sondagens, é difícil conseguir confiar nos seus relatórios, porque podem não corresponder à verdade.
Este é um tema que deveria estar no topo das preocupações dos responsáveis políticos e organizações cívicas e ambientais porque, na realidade, ninguém sabe ao certo quantas sondagens de captação de água existem em Portugal e muito menos qual é a qualidade e a quantidade de água subterrânea consumida anualmente.
É certo que existem no SNIRH (Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos) várias centenas de pontos onde é feita a monitorização da quantidade e qualidade das águas subterrâneas. Mas há um longo caminho a percorrer na gestão dos recursos hídricos subterrâneos, para atingirmos um patamar compatível com a dimensão problema que estamos a enfrentar.
Porque o nosso problema, "não será nunca", petróleo a mais, mas será certamente, água a menos!!
domingo, 3 de junho de 2018
CHILE: no país do lítio
Hoje quero partilhar um artigo do Jornal de Negócios, que faz uma interessante reflexão social, tecnológica e política sobre a "questão do lítio" no país que possui as maiores jazidas de lítio no Mundo: o Chile
Acrescento ainda que, muitos investigadores consideram que, os custos ambientais das baterias utilizadas na mobilidade elétrica, são superiores ao seu benefício ambiental. Para além dos impactos ambientais associados ao processo de mineração e posteriormente à reciclagem das baterias elétricas (computadores, telemóveis, veículos elétricos...), não nos devemos esquecer que, por exemplo, se andarmos num carro alimentado por baterias elétricas em França, na realidade estamos a andar num carro movido a energia nuclear e que se andarmos num carro elétrico na China, na realidade estamos a andar num carro movido a carvão! Já em Portugal, quem andou em veículos 100% elétricos no mês de maio, consumiu cerca de 32% de energias não renováveis e 68% de energias renováveis onde o vento representou cerca de 50% da energia consumida.
terça-feira, 29 de maio de 2018
A intensidade energética em Portugal e na União Europeia
A INTENSIDADE ENERGÉTICA EM PORTUGAL E NA UNIÃO EUROPEIA
Define-se como intensidade energética da produção económica, o rácio entre o consumo energético -tonelada equivalente de petróleo (teo) / milhão de euros PIB.
O gráfico é extraído do site da Associação de Energias Renováveis, http://www.apren.pt/pt/energias-renovaveis/outros e mostra as tendências de variação da intensidade energética em Portugal e na União Europeia entre 2002 e 2015.
Neste gráfico, pode ver-se que, enquanto a média dos países da União Europeia (azul) tem vindo a manter uma tendência descendente da sua intensidade energética, atingindo valores em 2015, de 120,4 toneladas equivalentes de petróleo por milhão de PIB, em Portugal essa tendência de descida estagnou em 2012 e mostra mesmo uma tendência de subida em 2015 com valores de 133,9 toneladas equivalentes de petróleo por milhão de PIB.
Esses valores significam que Portugal tem uma intensidade energética superior em 11% em relação à média da União Europeia, o que constitui uma enorme desvantagem competitiva da nossa economia em relação à média da União Europeia e um problema acrescido para a descarbonização ambiental que urge resolver. É no desenvolvimento da tecnologia, na eficiência energética e na utilização racional da energia, que se "esconde" uma enorme fatia do nosso paradigma energético.
quinta-feira, 24 de maio de 2018
Prospeção, pesquisa e exploração de petróleo e gás natural em
Portugal
sim ou não?
Neste momento, em Maio de 2018, existem
contratos de concessão ativos, na Bacia Lusitânica - onshore (Australis) e
na Bacia do Alentejo – offshore (ENI-Galp). Este é um tema que
tem alimentado a agenda de organizações cívicas e políticas que se opõem à
execução desses contratos, agenda essa, que é muitas vezes suportada por alguma
imprensa com os pratos da balança de argumentos inclinados para um dos lados, o
que necessariamente provoca um debate pouco esclarecedor e viciado à partida.
Por isso, impõe-se como imperiosa, a necessidade de trazer algum
equilíbrio a este tema, e contribuir para um conhecimento o mais alargado
possível, de forma a evitar assimetrias num debate que é, complexo e
multivetorial.
Em primeiro lugar, e como nota prévia, importa dizer, que muitos
dos opositores da atividade optam por uma retórica que incide, com muita frequência,
na aplicação de técnicas de fraturação hidráulica (fracking) utilizando
inverdades, meias verdades (ou se quiserem meias mentiras), para atingirem os
seus objetivos. Por isso, essa retórica, acaba por conferir ao debate um
caráter demagógico, populista e até maniqueísta, sem ir em busca de um
esclarecimento aberto das múltiplas realidades associadas a este assunto.
Considero que o tipo de argumentos a que temos vinda a assistir
por parte daqueles que se opõem às atividades de pesquisa e exploração de
petróleo/gás natural em Portugal, têm um caráter demagógico, porque existe um
claro interesse em manipular paixões e sentimentos das pessoas; têm um carácter
populista, porque transmitem a ideia de que a sua (o)posição irá resolver todos
os problemas do paradigma energético nacional, ao mesmo tempo que não apresentam
nenhuma solução que contrarie no curto/médio prazo a nossa dependência
energética; têm um carácter maniqueísta, porque se colocam do lado dos bons e
salvadores dos superiores interesses do país, enquanto todos os outros são os
maus que querem dar cabo de Portugal.
De facto, a aplicação de técnicas de fracturação hidráulica
(fracking), que são a arma de arremesso de muitos opositores da atividade
petrolífera, não estão previstas na legislação nacional sendo
que, nos contratos existentes, existe uma cláusula específica que determina
que, a eventual aplicação dessas técnicas, ficará sempre dependente da
autorização do governo.
A fracturação hidráulica, foi aplicada a primeira vez em 1943, mas
a sua utilização em larga escala iniciou-se nos Estados Unidos em 1973. No
entanto o debate científico continua e a sua aplicação tem sido proibida em
alguns Estados americanos e em vários países Europeus. Registe-se no entanto,
que essa proibição, é muitas vezes sobre a forma de "moratória” em busca
de mais conhecimento e não uma proibição definitiva. Não sou um especialista na
matéria, e percebo que poderá haver impactos relevantes, ao nível do solo e ao
nível do subsolo, na sua utilização. No entanto, do ponto de vista da segurança
da sua aplicabilidade, acho que quem manda é a geologia: se em alguns locais a
técnica pode ser aplicada, já noutros locais não será assim. E mesmo em
contextos geológicos, onde a técnica poderá ser utilizada em segurança, isso
também não é sinónimo de sucesso na pesquisa. Como já afirmei, haverá gente
muito mais avalizada do que eu, para se pronunciar sobre fraturação hidráulica.
No entanto, do ponto de vista pessoal e empírico, considero que a geologia em
Portugal é demasiado estruturada para permitir a aplicação dessas técnicas em
adequadas condições de segurança.
Ainda com referência a eventuais contaminações de lençóis
freáticos devido à aplicação destas técnicas, quero referir que há evidências
provadas, em diversos contextos mundiais, que muitas vezes as contaminações,
não só no offshore, mas também no onshore, resultam de afloramentos - “seeps” - naturais de hidrocarbonetos. É o
que acontece por exemplo, na região de Torres Vedras/Portugal, onde muitas
vezes as sondagens de captação de água são abandonadas, devido à contaminação
de aquíferos com hidrocarbonetos, por razões naturais. Acresce também que as técnicas
de estimulação hidráulica, são utilizadas, com frequência na hidrogeologia e na
geotermia.
Depois de clarificada a minha posição sobre este tema, importa
pronunciar-me sobre aquilo que está, de facto, em cima da mesa e que é a
pesquisa e exploração convencional de petróleo e gás natural.
Para isso, gostaria de transmitir alguns números que nos ajudam a percecionar
melhor esta questão.
Em 2017 foram realizadas 40 mil sondagens petrolíferas em cerca de
100 países em todo o mundo. Dessas 40 mil sondagens, cerca de 2600
sondagens foram realizadas no mar. Em relação às sondagens realizadas no mar,
importa referenciar alguns números interessantes:
-- Foram realizadas 356 sondagens nos mares da Europa Ocidental,
de onde se destacam, 208 na Noruega, 109 no Reino Unido e 14 num dos países,
que é por muitos referenciados, como o paladino das energias renováveis – a
Dinamarca! Depois surge também, como um dado interessante o número de sondagens
realizadas nos mares de um dos países mais turísticos e economicamente mais
dependentes do turismo, em todo o mundo: refiro-me à Tailândia, onde foram
realizadas 755 sondagens de pesquisa petrolífera – 680 sondagens no mar e 85
sondagens em terra!!
Portugal importou, em 2017, cerca de 80 milhões de barris de
petróleo. Esse valor, significa que, duas vezes por semana, encostaram nas nossas
refinarias de Sines ou Leixões, navios tanque com 100 mil toneladas de
crude nos seus depósitos. Por outro lado e como já referenciei num post
anterior, passam diariamente na nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE) 30 navios
tanque entre o Mediterrâneo e o Atlântico Norte. Por isso, quando se fala dos
perigos ambientais da pesquisa e exploração de petróleo no mar ao mesmo tempo
que se “ignoram” os milhares de navios tanque que passam na nossa ZEE, ou
aqueles que chegam às nossas refinarias, para assegurar as nossas necessidades
energéticas, estamos a querer "tapar o sol com uma peneira".
É neste contexto, que é importante citar um
relatório produzido para o Parlamento Europeu em 2013, pelo "Aberdeen
Institute for Coastal Science and Management", da Universidade de Aberdeen
na Escócia: “THE IMPACT OF OIL AND GAS DRILLING ACCIDENTS ON EU
FISHERIES”. Nas conclusões desse relatório pode ler-se:
“A indústria petrolífera do offshore em águas europeias,
necessária para assegurar a riqueza económica da EU, sofre eventuais acidentes
durante atividades de rotina. Historicamente, os acidentes mais graves ocorrem
durante o transporte, conduzindo a danos ambientais significativos em bancos de
pesca e aquacultura.”. Será talvez este o momento, para relembrar o acidente
ocorrido em 1975 com a explosão do navio tanque Jakob Maersk no Porto de
Leixões e o consequente derrame de 88 mil toneladas de petróleo. Ou então o
mais recente acidente com o navio tanque "Prestige", a 13 de Novembro
de 2002, que naufragou ao largo da costa da Galiza e provocou o derrame de 33
mil das 77 mil toneladas de "fuelóleo" que transportava nos seus
tanques!
Para além da sondagem, que irá ser realizada na Bacia do Alentejo
pelo consórcio ENI/GALP, está também prevista uma sondagem de pesquisa de gás
natural, para ser realizada pela Australis na Bacia Lusitânica onshore próximo
da localidade de Aljubarrota/Alcobaça. O processo para a realização dessa
sondagem esteve em consulta pública até ao dia 13 de maio, aguardando-se agora,
o parecer da Agência Portuguesa do Ambiente. Sobre a realização dessa sondagem,
vou deixar aqui a minha opinião, conforme ficou expressa, no texto que escrevi
no âmbito da consulta pública:
"A geologia da área de concessão Batalha, é já bastante bem
conhecida, sobretudo devido aos trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela
empresa Mohave Oil and Gas e pela Porto Energy. Este facto, por si só, é
sinónimo de que, este projeto de sondagem, é um projeto bem apoiado e
estruturado. Prosseguir o objetivo de uma futura exploração de gás natural, no
âmbito dos trabalhos que a empresa Australis se propõe agora desenvolver,
poderá tornar-se numa enorme mais-valia no contexto da estrutura energética
nacional, ainda demasiado dependente do carvão. Neste contexto, a produção de
gás natural em Portugal, poderá representar uma enorme mais-valia para o
Roteiro Nacional de Baixo Carbono 2050.
Acresce que, do ponto vista socioeconómico, a presença desta
atividade é bem-vinda e até desejada pelas comunidades locais. As experiências
vividas, quer na realização de trabalhos de prospeção sísmica, quer na
realização de várias sondagens, conferiram às comunidades daquela região
confiança na atividade. Essa confiança é também reforçada pela perceção do
potencial de desenvolvimento económico que é sentido pelas pessoas! Sou
favorável à realização da sondagem!".
As atividades de pesquisa e exploração de petróleo e gás natural,
irão continuar a fazer parte do debate que envolve os paradigmas energéticos e
ambientais da humanidade em geral, e do nosso país em particular. Assim, e em
jeito de conclusão desta reflexão, irei referenciar de forma telegráfica, alguns
temas que considero essenciais para um debate franco e aberto.
-- Estima-se que população do planeta cresça, dos atuais 7,4 mil
milhões de hoje, para cerca de 9 mil milhões em 2040. Consequentemente irão
aumentar as necessidades energéticas e a procura de petróleo, que é hoje de
quase 100 milhões de barris por dia, deverá continuar a aumentar a um ritmo
superior a 1 milhão de barris por ano. Isso, sem prejuízo de um crescente
aumento das energias renováveis
-- A dependência energética da União Europeia é superior a 50% por
isso as questões relacionadas com a nossa segurança energética são questões de
primeira grandeza.
-- Em Portugal a dependência de combustíveis fosseis (carvão,
petróleo e gás natural) é de cerca de 76% onde o petróleo representa cerca de
43%, o gás natural 20% e o carvão 13%.
-- Os veículos elétricos terão o seu espaço, mas não serão grandes
promotores da descarbonização do ambiente.
-- O aumento do consumo de gás natural (combustível fóssil de
baixas emissões de CO2) está considerado como a alternativa mais pragmática
para a contribuição da neutralidade das emissões de CO2
-- O desenvolvimento tecnológico/eficiência energética irá dar
um contributo fundamental para o controle e redução das emissões de gases
com efeito estufa.
-- Uma das áreas de conhecimento em franca ascensão, é a captura
do carbono, que poderá, no médio prazo, contribuir de forma importante para a
descarbonização do ambiente
-- O futuro energético será diverso, do ponto de vista das fontes
de energia, onde os combustíveis fósseis continuarão a fazer parte integrante
da matriz energética mundial, europeia e nacional durante a próxima geração.
-- A agenda da energia é uma agenda a médio/longo prazo e não deve
ser alvo de uma discriminação positiva
-- É preciso apostar numa agenda de conhecimento para sensibilizar
e educar os nossos jovens
Como comecei por referir neste texto, o tema é complexo e
multivetorial, por isso, não podemos agir circunstancialmente e de acordo com
"títulos da imprensa". Existem riscos no exercício desta atividade?
Sim, claro que sim! Como existem em todas as atividades industriais, mas que
nos passam muitas vezes despercebidos, porque não fazem as primeiras páginas
dos jornais! O facto é que, a indústria da pesquisa e exploração petrolífera, é
a atividade mais monitorizada e mais exposta ao escrutínio público em todo o
mundo. O enorme desenvolvimento tecnológico, a que a indústria tem que se
"submeter" para operar com os mais altos níveis de segurança,
tem dado um contributo decisivo às mais diversas áreas de conhecimento
industrial, de onde se destaca a indústria aeroespacial e o desenvolvimento da
robótica.
Não quero terminar sem uma última declaração: O petróleo não é
todo para queimar e é muito mais do que gasolina. Faz parte do nosso quotidiano
e, entre muitas outras coisas, integra a composição de dois dos medicamentos
mais importantes da humanidade: a aspirina e a penicilina. Por ouro lado, o gás
natural é fundamental para o fabrico de adubos para a agricultura. Por isso
partilho uma foto da National Geographic que pediu a uma família de classe
média americana para colocar no jardim todos os itens existentes em casa que
integram hidrocarbonetos na sua composição. Creio que o resultado da foto seria
muito parecido em muitos lares portugueses!
Sim, sou a favor da prospeção, pesquisa e exploração de petróleo
em Portugal. A prospeção e a pesquisa, dá-nos um conhecimento técnico e científico
que nos permite tomar decisões associadas à gestão do mar e ao ordenamento do território
e acredito que, uma eventual descoberta de petróleo ou gás natural, poderá
constituir uma vantagem competitiva para a nossa economia, sem comprometer, ou
mesmo dando um importante contributo para o cumprimento das metas ambientais
com que o país está comprometido, no Roteiro Nacional de Baixo Carbono 2050!
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