terça-feira, 29 de maio de 2018

A intensidade energética em Portugal e na União Europeia

A INTENSIDADE ENERGÉTICA EM PORTUGAL E NA UNIÃO EUROPEIA

Define-se como intensidade energética da produção económica, o rácio entre o consumo energético -tonelada equivalente de petróleo (teo) / milhão de euros  PIB.
O gráfico é extraído do site da Associação de Energias Renováveis, http://www.apren.pt/pt/energias-renovaveis/outros e mostra as tendências de variação da intensidade energética em Portugal e na União Europeia entre 2002 e  2015.

 Neste gráfico, pode ver-se que, enquanto a média dos países da União Europeia (azul) tem vindo a manter uma tendência descendente da sua intensidade energética, atingindo valores em 2015, de 120,4 toneladas equivalentes de petróleo por milhão de PIB, em Portugal essa tendência de descida estagnou em 2012 e mostra mesmo uma tendência de subida em 2015 com valores de 133,9 toneladas equivalentes de petróleo por milhão de PIB.
Esses valores significam que Portugal tem uma intensidade energética superior em 11% em relação à média da União Europeia, o que constitui uma enorme desvantagem competitiva da nossa economia em relação à média da União Europeia e um problema acrescido para a descarbonização ambiental que urge resolver. É no desenvolvimento da tecnologia, na eficiência energética e na utilização racional da energia,  que se "esconde" uma enorme fatia do nosso paradigma energético.


quinta-feira, 24 de maio de 2018


Prospeção, pesquisa e exploração de petróleo e gás natural em Portugal
sim ou não?

Neste momento, em Maio de 2018, existem contratos de concessão ativos, na Bacia Lusitânica - onshore (Australis) e na Bacia do Alentejo – offshore (ENI-Galp). Este é um tema que tem alimentado a agenda de organizações cívicas e políticas que se opõem à execução desses contratos, agenda essa, que é muitas vezes suportada por alguma imprensa com os pratos da balança de argumentos inclinados para um dos lados, o que necessariamente provoca um debate pouco esclarecedor e viciado à partida.


Por isso, impõe-se como imperiosa, a necessidade de trazer algum equilíbrio a este tema, e contribuir para um conhecimento o mais alargado possível, de forma a evitar assimetrias num debate que é, complexo e multivetorial.  
Em primeiro lugar, e como nota prévia, importa dizer, que muitos dos opositores da atividade optam por uma retórica que incide, com muita frequência, na aplicação de técnicas de fraturação hidráulica (fracking) utilizando inverdades, meias verdades (ou se quiserem meias mentiras), para atingirem os seus objetivos. Por isso, essa retórica, acaba por conferir ao debate um caráter demagógico, populista e até maniqueísta, sem ir em busca de um esclarecimento aberto das múltiplas realidades associadas a este assunto.
Considero que o tipo de argumentos a que temos vinda a assistir por parte daqueles que se opõem às atividades de pesquisa e exploração de petróleo/gás natural em Portugal, têm um caráter demagógico, porque existe um claro interesse em manipular paixões e sentimentos das pessoas; têm um carácter populista, porque transmitem a ideia de que a sua (o)posição irá resolver todos os problemas do paradigma energético nacional, ao mesmo tempo que não apresentam nenhuma solução que contrarie no curto/médio prazo a nossa dependência energética; têm um carácter maniqueísta, porque se colocam do lado dos bons e salvadores dos superiores interesses do país, enquanto todos os outros são os maus que querem dar cabo de Portugal.
De facto, a aplicação de técnicas de fracturação hidráulica (fracking), que são a arma de arremesso de muitos opositores da atividade petrolífera, não estão previstas na legislação nacional sendo que, nos contratos existentes, existe uma cláusula específica que determina que, a eventual aplicação dessas técnicas, ficará sempre dependente da autorização do governo.
A fracturação hidráulica, foi aplicada a primeira vez em 1943, mas a sua utilização em larga escala iniciou-se nos Estados Unidos em 1973. No entanto o debate científico continua e a sua aplicação tem sido proibida em alguns Estados americanos e em vários países Europeus. Registe-se no entanto, que essa proibição, é muitas vezes sobre a forma de "moratória” em busca de mais conhecimento e não uma proibição definitiva. Não sou um especialista na matéria, e percebo que poderá haver impactos relevantes, ao nível do solo e ao nível do subsolo, na sua utilização. No entanto, do ponto de vista da segurança da sua aplicabilidade, acho que quem manda é a geologia: se em alguns locais a técnica pode ser aplicada, já noutros locais não será assim. E mesmo em contextos geológicos, onde a técnica poderá ser utilizada em segurança, isso também não é sinónimo de sucesso na pesquisa. Como já afirmei, haverá gente muito mais avalizada do que eu, para se pronunciar sobre fraturação hidráulica. No entanto, do ponto de vista pessoal e empírico, considero que a geologia em Portugal é demasiado estruturada para permitir a aplicação dessas técnicas em adequadas condições de segurança.
Ainda com referência a eventuais contaminações de lençóis freáticos devido à aplicação destas técnicas, quero referir que há evidências provadas, em diversos contextos mundiais, que muitas vezes as contaminações, não só no offshore, mas também no onshore, resultam de afloramentos - “seeps” - naturais de hidrocarbonetos. É o que acontece por exemplo, na região de Torres Vedras/Portugal, onde muitas vezes as sondagens de captação de água são abandonadas, devido à contaminação de aquíferos com hidrocarbonetos, por razões naturais. Acresce também que as técnicas de estimulação hidráulica, são utilizadas, com frequência na hidrogeologia e na geotermia.
Depois de clarificada a minha posição sobre este tema, importa pronunciar-me sobre aquilo que está, de facto, em cima da mesa e que é a pesquisa e exploração convencional de petróleo e gás natural. Para isso, gostaria de transmitir alguns números que nos ajudam a percecionar melhor esta questão.
Em 2017 foram realizadas 40 mil sondagens petrolíferas em cerca de 100 países em todo o  mundo. Dessas 40 mil sondagens, cerca de 2600 sondagens foram realizadas no mar. Em relação às sondagens realizadas no mar, importa referenciar alguns números interessantes:
-- Foram realizadas 356 sondagens nos mares da Europa Ocidental, de onde se destacam, 208 na Noruega, 109 no Reino Unido e 14 num dos países, que é por muitos referenciados, como o paladino das energias renováveis – a Dinamarca! Depois surge também, como um dado interessante o número de sondagens realizadas nos mares de um dos países mais turísticos e economicamente mais dependentes do turismo, em todo o mundo: refiro-me à Tailândia, onde foram realizadas 755 sondagens de pesquisa petrolífera – 680 sondagens no mar e 85 sondagens em terra!! 
Portugal importou, em 2017, cerca de 80 milhões de barris de petróleo. Esse valor, significa que, duas vezes por semana, encostaram nas nossas refinarias de Sines ou Leixões,  navios tanque com 100 mil toneladas de crude nos seus depósitos. Por outro lado e como já referenciei num post anterior, passam diariamente na nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE) 30 navios tanque entre o Mediterrâneo e o Atlântico Norte. Por isso, quando se fala dos perigos ambientais da pesquisa e exploração de petróleo no mar ao mesmo tempo que se “ignoram” os milhares de navios tanque que passam na nossa ZEE, ou aqueles que chegam às nossas refinarias, para assegurar as nossas necessidades energéticas, estamos a querer "tapar o sol com uma peneira".
É neste contexto, que é importante citar um relatório produzido para o Parlamento Europeu em 2013, pelo "Aberdeen Institute for Coastal Science and Management", da Universidade de Aberdeen na Escócia: “THE IMPACT OF OIL AND GAS DRILLING ACCIDENTS ON EU FISHERIES”. Nas conclusões desse relatório pode ler-se:
“A indústria petrolífera do offshore em águas europeias, necessária para assegurar a riqueza económica da EU, sofre eventuais acidentes durante atividades de rotina. Historicamente, os acidentes mais graves ocorrem durante o transporte, conduzindo a danos ambientais significativos em bancos de pesca e aquacultura.”. Será talvez este o momento, para relembrar o acidente ocorrido em 1975 com a explosão  do navio tanque Jakob Maersk no Porto de Leixões e o consequente derrame de 88 mil toneladas de petróleo. Ou então o mais recente acidente com o navio tanque "Prestige", a 13 de Novembro de 2002, que naufragou ao largo da costa da Galiza e provocou o derrame de 33 mil das 77 mil toneladas de "fuelóleo" que transportava nos seus tanques!
Para além da sondagem, que irá ser realizada na Bacia do Alentejo pelo consórcio ENI/GALP, está também prevista uma sondagem de pesquisa de gás natural, para ser realizada pela Australis na Bacia Lusitânica onshore próximo da localidade de Aljubarrota/Alcobaça. O processo para a realização dessa sondagem esteve em consulta pública até ao dia 13 de maio, aguardando-se agora, o parecer da Agência Portuguesa do Ambiente. Sobre a realização dessa sondagem, vou deixar aqui a minha opinião, conforme ficou expressa, no texto que escrevi no âmbito da consulta pública: 
"A geologia da área de concessão Batalha, é já bastante bem conhecida, sobretudo devido aos trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela empresa Mohave Oil and Gas e pela Porto Energy. Este facto, por si só, é sinónimo de que, este projeto de sondagem, é um projeto bem apoiado e estruturado. Prosseguir o objetivo de uma futura exploração de gás natural, no âmbito dos trabalhos que a empresa Australis se propõe agora desenvolver, poderá tornar-se numa enorme mais-valia no contexto da estrutura energética nacional, ainda demasiado dependente do carvão. Neste contexto, a produção de gás natural em Portugal, poderá representar uma enorme mais-valia para o Roteiro Nacional de Baixo Carbono 2050.
Acresce que, do ponto vista socioeconómico, a presença desta atividade é bem-vinda e até desejada pelas comunidades locais. As experiências vividas, quer na realização de trabalhos de prospeção sísmica, quer na realização de várias sondagens, conferiram às comunidades daquela região confiança na atividade. Essa confiança é também reforçada pela perceção do potencial de desenvolvimento económico que é sentido pelas pessoas! Sou favorável à realização da sondagem!".

As atividades de pesquisa e exploração de petróleo e gás natural, irão continuar a fazer parte do debate que envolve os paradigmas energéticos e ambientais da humanidade em geral, e do nosso país em particular. Assim, e em jeito de conclusão desta reflexão, irei referenciar de forma telegráfica, alguns temas que considero essenciais para um debate franco e aberto.
-- Estima-se que população do planeta cresça, dos atuais 7,4 mil milhões de hoje, para cerca de 9 mil milhões em 2040. Consequentemente irão aumentar as necessidades energéticas e a procura de petróleo, que é hoje de quase 100 milhões de barris por dia, deverá continuar a aumentar a um ritmo superior a 1 milhão de barris por ano. Isso, sem prejuízo de um crescente aumento das energias renováveis
-- A dependência energética da União Europeia é superior a 50% por isso as questões relacionadas com a nossa segurança energética são questões de primeira grandeza.
-- Em Portugal a dependência de combustíveis fosseis (carvão, petróleo e gás natural) é de cerca de 76% onde o petróleo representa cerca de 43%, o gás natural 20% e o carvão 13%.
-- Os veículos elétricos terão o seu espaço, mas não serão grandes promotores da descarbonização do ambiente.
-- O aumento do consumo de gás natural (combustível fóssil de baixas emissões de CO2) está considerado como a alternativa mais pragmática para a contribuição da neutralidade das emissões de CO2
-- O desenvolvimento tecnológico/eficiência energética irá dar um  contributo fundamental para o controle e redução das emissões de gases com efeito estufa.
-- Uma das áreas de conhecimento em franca ascensão, é a captura do carbono, que poderá, no médio prazo, contribuir de forma importante para a descarbonização do ambiente
-- O futuro energético será diverso, do ponto de vista das fontes de energia, onde os combustíveis fósseis continuarão a fazer parte integrante da matriz energética mundial, europeia e nacional durante a próxima geração.
-- A agenda da energia é uma agenda a médio/longo prazo e não deve ser alvo de uma discriminação positiva
-- É preciso apostar numa agenda de conhecimento para sensibilizar e educar os nossos jovens

Como comecei por referir neste texto, o tema é complexo e multivetorial, por isso, não podemos agir circunstancialmente e de acordo com "títulos da imprensa". Existem riscos no exercício desta atividade? Sim, claro que sim! Como existem em todas as atividades industriais, mas que nos passam muitas vezes despercebidos, porque não fazem as primeiras páginas dos jornais! O facto é que, a indústria da pesquisa e exploração petrolífera, é a atividade mais monitorizada e mais exposta ao escrutínio público em todo o mundo. O enorme desenvolvimento tecnológico, a que a indústria tem que se "submeter" para operar com os mais altos níveis de segurança,  tem dado um contributo decisivo às mais diversas áreas de conhecimento industrial, de onde se destaca a indústria aeroespacial e o desenvolvimento da robótica.

Não quero terminar sem uma última declaração: O petróleo não é todo para queimar e é muito mais do que gasolina. Faz parte do nosso quotidiano e, entre muitas outras coisas, integra a composição de dois dos medicamentos mais importantes da humanidade: a aspirina e a penicilina. Por ouro lado, o gás natural é fundamental para o fabrico de adubos para a agricultura. Por isso partilho uma foto da National Geographic que pediu a uma família de classe média americana para colocar no jardim todos os itens existentes em casa que integram hidrocarbonetos na sua composição. Creio que o resultado da foto seria muito parecido em muitos lares portugueses!


Sim, sou a favor da prospeção, pesquisa e exploração de petróleo em Portugal. A prospeção e a pesquisa, dá-nos um conhecimento técnico e científico que nos permite tomar decisões associadas à gestão do mar e ao ordenamento do território e acredito que, uma eventual descoberta de petróleo ou gás natural, poderá constituir uma vantagem competitiva para a nossa economia, sem comprometer, ou mesmo dando um importante contributo para o cumprimento das metas ambientais com que o país está comprometido, no Roteiro Nacional de Baixo Carbono 2050!

sexta-feira, 18 de maio de 2018




Nota prévia: No momento em a que ENI e a GALP se preparam para dar início, em setembro, a uma sondagem de pesquisa petrolífera na bacia sedimentar do Alentejo, o tema petróleo é incontornável. Por isso irei, num próximo post, exprimir a minha opinião sobre este assunto, mas para já gostaria de fazer uma pequena introdução genérica subordinada ao tema.


O PETRÓLEO

“O meu pai andava de camelo, eu ando de Rolls-Royce, o meu filho anda de avião a jacto e o filho dele há-de voltar a andar de camelo” (Provérbio árabe)


Petróleo (do latim petrus, pedra e oleum, óleo) significa “óleo de rocha” e conhece-se desde a mais remota antiguidade. A primeira menção à sua utilização, figura na Bíblia, que nos diz que Noé, antes de navegar, impermeabilizou a arca com betume, o que nos levaria a cerca de 6000 anos antes de Cristo. Os chineses, egípcios e assírios usaram-no para diversas finalidades – na medicina, construção, embalsamamento, etc. – e, na Europa - França a exploração de areias asfálticas do campo de Péchelbronn, começou ainda no século XVI tendo sido desativado por volta de 1970.

Apesar de na China haver registos de sondagens petrolíferas realizadas há mais de 1000 anos, o que é facto é que, a maior parte dos produtos petrolíferos comercializados procediam de afloramentos superficiais, o mais famoso dos quais era em Hit - no Rio Eufrates, não muito longe da Babilónia (perto de Bagdade). O betume era uma mercadoria negociada no médio oriente há muitos milhares de anos.

Quando no dia 27 de Agosto de 1859, o Coronel Drake (que não era Coronel) encontrou Petróleo numa sondagem realizada a 23 metros de profundidade e iniciou uma produção diária de 25 barris em Titusville na Pennsylvania (Estados Unidos), certamente não imaginaria que esse momento iria moldar para sempre a história da humanidade com o nascimento da indústria petrolífera. Estava finalmente feita a prova de que o Petróleo, tão procurado para a iluminação, podia ser encontrado em grandes quantidades através de sondagens. Um ano depois, a região da Pennsylvania tinha já produzido 600.000 barris e 159 anos depois, em 2018, o mundo produz cerca de 95 milhões de barris por dia. Ironicamente, foi devido à descoberta petrolífera da Pennsylvania, que se salvaram as baleias cachalotes do Atlântico Norte, porque naquele tempo, havia uma “sobre caça” a esses gigantes do mar, em busca daquilo que era considerado o melhor óleo para iluminação: óleo de cachalote!

O petróleo é uma mistura natural de hidrocarbonetos, que são compostos formados essencialmente por átomos de carbono (C) e de hidrogénio (H) que em condições normais de pressão e temperatura podem ser gasosos (gás natural), líquidos (petróleo bruto) ou sólidos (betumes, asfaltos, parafinas, etc.) conforme a menor ou maior complexidade das suas moléculas.

O petróleo formou-se ao longo dos tempos geológicos, pela acumulação de matéria orgânica em ambientes de deposição de sedimentos, que formaram rochas que constituem hoje, as chamadas bacias sedimentares. Todavia, o petróleo muito raramente se encontra em quantidades apreciáveis nos locais onde foi gerado; com efeito, uma das suas principais características é ser um fluído que se desloca – diz-se que migra – através dos vazios existentes nas rochas sólidas, e que, finalmente, quando surgem barreiras naturais que impedem que essa deslocação (ou migração) continue, acumula-se e  aguarda o dia em que acabe por ser descoberto.


Fonte: ENMC (Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis)
O mapa ilustra os perfis de prospeção geofísica e as sondagens (amarelo) de pesquisa petrolífera  realizadas em Portugal. O conhecimento obtido através da prospeção geofísica, permitiu o planeamento e a realização de sondagens de pesquisa e permite perceber as áreas de incidência da pesquisa.

Em Portugal, as nossas bacias sedimentares, e portanto as áreas prospectáveis para a pesquisa de petróleo, estão relacionadas com a separação da Ibéria e da América do Norte, num evento multifaseado que teve início no Triássico Superior há cerca de 220 milhões de anos. Assim, ao longo da nossa história geológica, desenvolveram-se no nosso território várias bacias sedimentares em terra (onshore) e no mar (offshore). No “onshore” a bacia sedimentar (Bacia Lusitânica) ocupa uma área com cerca de 12 mil km2, e pode ser mais ou menos delimitada por um gomo da nossa orla ocidental entre Aveiro – Coimbra – Tomar e Setúbal; no “offshore”, desenvolveram-se bacias ao longo de toda orla ocidental (Bacia do Porto, Bacia Lusitânica “offshore”, Bacia de Peniche, Bacia do Alentejo) que ocupam uma área com cerca de 16 mil km2 e na orla Sul (Bacia do Algarve – com uma pequena extensão não prospectável no “onshore”) que ocupa uma área com cerca de 8000 km2. Parte das bacias sedimentares “offshore” desenvolvem-se em águas profundas, ou seja áreas com uma lâmina de água superior a 200 metros.

A pesquisa de hidrocarbonetos em Portugal remonta a 1844 com a descoberta da mina de asfalto denominada Canto de Azeche, situada numa falésia próximo da Praia da Vitória (Pataias). Para além da pavimentação de estradas, o asfalto retirado dessa mina terá sido usado para pavimentar as estações de caminho-de-ferro contruídas no final do século XIX e início do século XX. Apesar de ter havido alguns trabalhos de pesquisa ao longo de toda a primeira metade do século XX, só partir da década de 50 se começou a desenvolver a pesquisa de forma sistemática e com base científica. Desde essa data até aos dias de hoje, foram realizadas 175 sondagens -149 onshore e 26 offshore, sendo que 5 das sondagens offshore, foram realizadas na Bacia do Algarve. Registe-se também que, das 149 sondagens realizadas onshore, só 81 é que atingiram profundidades superiores a 500 metros e que a maioria das restantes 69 sondagens atingiram profundidades na ordem das duas ou três centenas de metros. É de referir ainda, que em Portugal são realizadas anualmente dezenas de sondagens de captação de água, que atingem profundidades de várias centenas de metros, em locais que podem também ser objetivos petrolíferos! Do total de sondagens realizadas, houve 117 com indícios de petróleo ou gás sem que, até hoje, tenha sido feita qualquer descoberta comercial de hidrocarbonetos (petróleo ou gás natural).

O petróleo representa uma enorme fatia da nossa factura energética, com valores muito relevantes em percentagem do PIB e na nossa balança de mercadorias. Em 2017, o país importou quase 17,5 milhões de toneladas de petróleo bruto e refinados ou seja cerca de 260 mil barris por dia de produtos petrolíferos, correspondente a uma fatura de 6,3 mil milhões de euros. Registe-se que, esse valor, reflete um aumento de cerca de 22% em relação ao ano de 2016 e que, a tendência de subida do petróleo indicia que os custos de importação de produtos petrolíferos continuarão a subir em 2018.

1 barril é igual a 158.987296 litros ou 42 galões

quarta-feira, 16 de maio de 2018



Mediterrâneo à beira do colapso
"Uma cidade que vive do turismo, também pode morrer do turismo"

Resultado de imagem para navio cruzeiro em veneza


A propósito do meu post anterior - "Paradoxos, transportes marítimos e cruzeiros", um amigo meu, com quem eu estou quase sempre em desacordo, mandou-me o link para um programa de televisão que passou na RTP no dia 14 de Maio e que, sinceramente, me tinha passado despercebido. 

Pela sua atualidade e pela estreita relação com aquilo que eu escrevi ontem, não posso deixar de vos convidar a ver o programa que, naturalmente nos convida a uma profunda reflexão!
PARADOXOS
Transportes marítimos e navios de cruzeiro

"Os navios são uma fonte significativa de poluição nas cidades portuárias e ao longo de toda a  costa portuguesa"

Todos os dias passam cerca de 110 navios de carga, 30 navios-tanque (petroleiros) e dois grandes navios cruzeiro, na Zona Económica Exclusiva de Portugal Continental, no trajeto entre o Atântico Norte e o Mediterrâneo.



A Associação Ambientalista Zero considera que o transporte marítimo é uma fonte de poluição atmosférica muito significativa, que afeta a qualidade do ar das zonas litorais face à predominância de ventos de oeste e noroeste, que levam a poluição do mar, para terra. É neste contexto, que existe uma preocupação crescente com os grandes navios cruzeiros, nomeadamente em Lisboa, os quais "causam elevadas emissões de enxofre, azoto e principalmente partículas, muitas delas de maior toxicidade por serem ultrafinas, tendo vários estudos apontado para situações graves em outros portos". É também importante referir que, ao contrário do que acontece no transporte rodoviário, cujas emissões contribuem para as alterações climáticas, no transporte marítimo, não têm sido fixadas metas de redução de gases com efeito estufa.
Registe-se, entre muitas outras "curiosidades", que a energia produzida por um navio de cruzeiro  é suficiente para abastecer uma cidade de 40 mil habitantes e que em 2017, Lisboa recebeu 123 navios cruzeiro. Por isso, ficam as perguntas no ar (ironicamente poluído): Será que deveremos fechar a nossa ZEE - Zona Económica Exclusiva à passagem de grandes navios de carga, navios tanque e navios cruzeiro??!!  Será que temos que proibir os navios tanque (petroleiros e metaneiros), que regularmente descarregam em Sines e em Leixões , para assegurar o abastecimento em gás natural e cerca de 240 mil barris de petróleo por dia, essenciais à nossa economia??!! Será que o turismo é uma atividade inimiga do ambiente e que Portugal deve fechar o Porto de Lisboa e Leixões aos  navios de cruzeiro??!! Muitas perguntas à espera de respostas!







segunda-feira, 14 de maio de 2018



Hamburgers "fast food", óleo de Palma e a 
salvação das florestas tropicais


No início da década de 80 do século passado , quando as questões associadas ao aquecimento global ainda não faziam parte da agenda mediática, li um artigo numa publicação científica com o seguinte título: " O fast food e a destruição das florestas tropicais".
De facto, 35 anos mais tarde, é hoje um facto plenamente assumido pela comunidade científica internacional, que existe uma ligação intrínseca entre a destruição das florestas tropicais e o exponencial aumento do consumo de carne de vaca. Alguns autores, chegam mesmo a quantificar essa destruição  em mais de de 65% do desmatamento  total  das florestas tropicais, que ocorre anualmente no planeta e, em particular na floresta da Amazónia. 

Presentemente, vivem em território da Amazónia 25 milhões de pessoas e há 85 milhões de cabeças de gado bovino! (fonte: http://www.ihu.unisinos.br/eventos/569901-como-o-bife-do-seu-prato-explica-o-desmatamento-na-amazonia )

Por outro lado, nas florestas do sudeste asiático, essa destruição ocorre, sobretudo, devido à plantação de Palma (Dendezeiro) para a produção de óleo de palma (azeite dendê) que é um óleo barato, usado em grande escala na indústria alimentar, na cosmética e no fabrico de biodiesel (que faz parte da diretiva das energias renováveis).
Área de floresta devastada para a produção de Palma (Dendezeiro)

No sudeste Asiático, na América Latina e em África,vastas áreas de floresta tropical são queimadas e desmatadas todos os dias, para criar áreas de plantação de Palma. Desta forma, enormes quantidades de gases de efeito estufa são emitidos para a atmosfera. A Indonésia - o maior produtor de óleo de palma - chegou a emitir mais gases de efeito estufa do que os Estados Unidos e estudos apontam para que, o biodiesel produzido a partir do óleo de palma, seja três vezes mais nocivo para o clima do que o combustível fóssil. Não será por acaso, que  a associação ambientalista ZERO considera que a produção deste óleo, para utilização nos biocombustíveis, tem efeitos ambientais devastadores e deve ficar fora da estabilização para o cumprimento das metas europeias das energias renováveis, onde quase metade do óleo de palma importado, é usado para a produção de biodiesel.

Por isso, a mensagem deste post é a seguinte: não se resolvem as alterações climáticas sem parar a desflorestação e não se para a desflorestação sem reduzir o consumo de carne de vaca e sem alterar o paradigma de considerar o óleo de palma como uma energia renovável!
Um hamburger de vaca, precisa de 20 vezes mais terra do que o feijão, para a mesma quantidade de nutrientes, e provoca 20 vezes mais gases de efeito estufa e, para além disso, a produção de um hamburger, até chegar a nossa mesa, consome cerca de 2600 litros de água. 
Por outro lado produzem-se anualmente 66 milhões de toneladas de óleo de palma que é o óleo vegetal mais produzido no mundo e está presente em um de cada dois produtos de supermercado - refeições prontas, bolachas, margarina cremes hidratantes, sabões, maquilhagem, velas, detergentes... (fonte: https://www.salveaselva.org/temas/oleo-de-palma ).
O irónico de tudo isto é que, durante os 12 meses que trabalhei no interior da floresta Amazónica, pude testemunhar em primeira mão que,  o impacte ambiental resultante da pesquisa petrolífera, era praticamente insignificante, quando comparado com a devastação causada pela produção de gado bovino  ou pela plantação de Palma para a produção de óleo de palma!!!
Não é por sermos contra, seja lá o que for, que nos tornamos ambientalistas. Para darmos o nosso contributo efetivo em prole do ambiente, é preciso educar as crianças para uma melhor alimentação, promover a substituição de óleo de palma por outros tipos de óleo - girassol, colza, azeite, côco, milho... e encorajar profundas mudanças de comportamento nas nossas comunidades. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Previsões Energéticas Mundiais 2016 - 2040
(Fonte: Agência Internacional de energia - https://www.iea.org/weo2017/#section-5-3)


O mapa mundo da imagem, mostra as variações de energia (por região), necessária para abastecer o Planeta em 2040. Esta projecção, é baseada naquilo que, a Agência Internacional de Energia chama de "new policy scenarios", ou seja leva em consideração as diversas medidas e compromissos assumidos pelos diferentes países para a redução dos gases com efeito estufa.
A escala energética adotada, nesta previsão é, Mtoe - Million tons oil equivalent, (ou em português - Mtep -Milhões de toneladas equivalentes de petróleo) e é uma medida de energia baseada no valor energético libertado pela combustão de um barril de petróleo. 1 TOE (TEP - tonelada equivalente de petróleo) é igual a 11,63 Megawats-hora (MWh).
Podemos concluir, por exemplo, que em 2040 a India precisará de mais mil milhões de toneladas equivalentes de petróleo em 2040, ou que o Japão consumirá menos 50 Mtoe do que em 2016.



Esta projecção considera um crescimento económico de 3,4% ao ano e prevê que a população mundial, aumente dos 7,4 mil milhões de hoje, para 9 mil milhões em 2040. Nas projeções das necessidades energéticas para 2040, a AIE também prevê um aumento da população urbana, equivalente a uma cidade como Xangai, a cada 4 meses 
A Índia será responsável pela maior contribuição para o crescimento da procura de energia, com um aumento de cerca de 11% em 2040. No entanto, esse aumento é inferior ao aumento populacional previsto para esse país, que é de 18%.
A procura de energia no Sudeste Asiático irá crescer ao dobro da velocidade da procura de energia na China, mas no geral, os países em desenvolvimento na Ásia representam 2/3 do crescimento energético global, sendo que o resto do crescimento energético tem origem no Médio Oriente, África América Latina e Eurásia.



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Na Linha de Água

No post de hoje quero apresentar o site "Patagónia, o Coração Azul da Europa".  - https://blueheart.patagonia.com/ -  Este projeto, tem como objetivo ajudar salvar os últimos rios selvagens na Europa. Na região dos Balkans, estão planeadas quase 3 mil pequenas barragens,  e 188 estão já em construção. Estas pequenas barragens para a produção de energia elétrica, estão a ser construídas, sobretudo, a partir de desvios efectuados nos muitos rios da região e ameaçam milhares de Kms de Rio, milhões de pessoas e centenas de espécies.



A energia hidroelétrica é renovável mas não é limpa. Estima-se que as grandes barragens já levaram à deslocalização de mais de 60 milhões de pessoas, que são responsáveis pela perda de biodiversidade (nomeadamente biodiversidade aquática) que chega a atingir os 80% desde 1970, e são responsáveis por cerca de 5% dos gases com efeito estufa devido às emissões de metano. Para além disso, dão origem a algas tóxicas e água de qualidade inferior e bloqueiam a passagem de sedimentos, agravando, assim, a erosão costeira e reduzindo a fertilidade de terrenos agrícolas.
Os Rios são linhas de vida e estudos vários, apontam para que o impacto ambiental de várias pequenas barragens, seja ainda superior ao impacte de uma grande barragem!

quarta-feira, 9 de maio de 2018

TRUMP, IRÃO, PETRÓLEO, EUROPA, PROBLEMAS

Já sabemos que a economia portuguesa tem uma enorme dependência das energias fósseis (75%) e, em particular, do Petróleo que representa 43% da nossa estrutura energética 
Já a  Europa dos 28, tem uma dependência energética das energias fósseis de cerca 72%, onde o Petróleo representa cerca de 33% das suas necessidades energéticas, conforme se pode ver no gráfico da Agência Internacional de Energia (AIE) referente a 2015.


A denúncia, por parte dos Estados Unidos, do tratado nuclear com o Irão, teve uma imediata repercussão no aumento do preço do Petróleo. Os Preços do  Brent, que servem de referencia para Portugal, estavam a meio da sessão dos mercados de hoje a subir 3% para os 77 US$/barril.
Perante esta situação, passo a expor os seguintes factos: há um ano, em Maio  de 2017, o preço do  petróleo era de 50 dollars  ou 46 euros por barril; um ano mais tarde, a 9 de Maio de 2018 o preço do Petróleo está a 77 dollars ou 65 euros por barril, (equivalente a um aumento, em euros, de 41%) Se levarmos em conta que o orçamento do estado para 2018 estima o preço médio do barril de petróleo em 54,8 dollars, será fácil compreender que estamos perante uma situação que irá, certamente, agravar o saldo da nossa balança comercial. 
O continuado aumento dos preços do petróleo, alavancado pela política internacional e por um acelerado desinvestimento na indústria, que se tem verificado nos últimos anos, faz com que muitos analistas antecipem uma subida a curto prazo para os 100 dollars por barril. Uma situação destas, irá, inevitavelmente, contaminar toda a atividade económica nacional, por duas vias: primeiro pela nossa dependência energética e segundo, devido a uma previsível desaceleração das economias europeias. 
Para se ter uma ideia, os custos energéticos de Portugal no dia 9 de Maio de 2018, serão cerca de 5 milhões de euros superiores aos custos energéticos de 9 de Maio de 2017 e se a tendência se mantiver as nossa necessidades de importação de petróleo irão aumentar milhares de milhões de euros ao longo dos próximos anos. 
É preciso alterar o nosso paradigma energético? Sim! Mas esse é um caminho que não pode ser trilhado em busca de uma agenda própria, porque quer queiramos, quer não, o petróleo irá continuar a fazer parte das nossas vidas durante muitos mais anos!
1 barril = 159 litros


terça-feira, 8 de maio de 2018


"A Maldição do Petróleo"


Hoje,  quero partilhar um artigo que li ontem no "Observador", da autoria de Gonçalo Magalhães Collaço e que faz uma abordagem favorável à pesquisa petrolífera em Portugal, que merece a nossa melhor reflexão.

Como referi no post anterior, sobre a caracterização Energética Nacional, o  petróleo representa cerca de 43% da estrutura energética Nacional. No entanto o petróleo é muito mais do que uma fonte de energia! Ele tem sido motor de desenvolvimento científico e tecnológico e faz parte integrante das nossas vidas e de  cada gesto do nosso quotidiano. 
A procura mundial de petróleo, no primeiro trimestre de 2018 foi de 98 milhões de barris por dia. Já Portugal, teve necessidades de importação de cerca de 240 mil barris por dia em 2016. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima um aumento da procura até 2040 de cerca de 1,2% ao ano. Mas nem todo é para queimar! (só a combustão é que liberta CO2"). Parte do aumento da procura, destina-se à indústria petroquímica: telemóveis, computadores, escovas de dentes, luvas cirúrgicas, capacetes de bicicleta materiais de construção civil e até a aspirina, entre muitas outras coisas, têm na sua composição polímeros de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) e são essenciais para o desenvolvimento da Humanidade! 



Por último , não posso deixar de referir que, se não fosse a descoberta de petróleo na Pensilvânia Estados Unidos, a 27 de Agosto de 1859, hoje não haveria Cachalotes no oceano Atlântico. Mas isso será uma história para contar noutro dia!

segunda-feira, 7 de maio de 2018


Taxa de Dependência Energética 
Evolução do Consumo de Energia Primária em Portugal


Os dois gráficos, abaixo representados, são  extraídos do site da DGEG - Direção Geral de Energia e Geologia e fazem parte da análise da Caracterização Energética Nacional 2016.
http://www.dgeg.gov.pt/pagina.aspx?back=1&codigono=77387764AAAAAAAAAAAAAAAA


Taxa de dependência energética 2016
Este gráfico mostra a variação da dependência energética do exterior, entre 2012 e 2016. Podemos observar que, em 2016, a dependência energética de Portugal foi de 75%



Energua Primária em Portugal
Este gráfico mostra a evolução da composição consumo de energia primária em Portugal.
Podemos observar que em 2016 as energias fósseis  representaram cerca de 76% da nossa estrutura energética, o que corresponde, aproximadamente  à nossa dependência energética do exterior. O Petróleo mantém-se como parte fundamental da nossa estrutura energética 43%; o  gás natural representa 20%; o Carvão 13% e as energias renováveis, cerca de 26% .

Ainda de acordo com o site da Direcção Geral de Energia e Geologia, importa referir que, em relação ao mês de Fevereiro de 2018, "O consumo global de combustíveis fósseis, aumentou 6,1% relativamente ao mês homólogo do ano anterior. No mesmo período, os consumos de gás natural, de produtos de petróleo e de carvão aumentaram 15,9%, 0,8% e 4,5% respectivamente".




sábado, 5 de maio de 2018







AS BATERIAS DO FUTURO

A Antena 1, produz semanalmente um programa intitulado "Ponto de Partida", onde é feita uma abordagem técnica e científica de diversos temas da nossa actualidade.
No passado dia 17 de Abril, o programa foi à descoberta das baterias do futuro e conversou com os nossos melhores investigadores e investigadoras sobre baterias elétricas, células de combustível e supercondensadores. 
Entre muitas outras coisas, ficamos a saber que, nas últimas dezenas de anos, não tem havido grandes revoluções na capacidade de armazenamento da energia e que as atuais baterias de lítio estão nos limites da ciência. Ficamos também a saber que, as baterias de lítio que alimentam os famosos Tesla, são na realidade 7 mil baterias encapsuladas em pesados "bunkers" metálicos e a perceber porque é que, essas baterias são potencialmente explosivas. Já no final do programa, é referido que, estamos a criar uma espécie de minas artificiais, onde são colocadas as baterias em fim de vida, à espera que, um dia, a tecnologia encontre formas adequadas de reciclar os seus elementos!

Por isso, desenganem-se aqueles que pensam que, dentro de meia dúzia de anos, andaremos todos movidos a eletricidade. Há um longo caminho a percorrer. Para já deixo-vos o link para para o Ponto de Partida -- As Baterias do Futuro
https://www.rtp.pt/play/p2063/e342304/ponto-de-partida.

sexta-feira, 4 de maio de 2018





CONCEITO DE ENERGIA

Nota prévia: para nos ajudar a uma melhor reflexão sobre os temas deste blog, achei que seria interessante introduzir um texto com alguns conceitos, que nos ajudem a melhorar a nossa perceção, para esta "coisa estranha" a que chamamos energia. Boa leitura!



“Ainda não sabemos o que é a energia. Não sabemos ainda, por ser a energia uma coisa estranha.”
Richard Fleynman (1918-88). Prémio Nobel da Física em 1965


A ORIGEM DA PALAVRA

A palavra energia, deriva da palavra grega “Energheia” que significa actividade.
Nos tempos antigos o termo energia usava-se para indicar força, vigor, potência do corpo e da natureza e com este significado chegou até aos nossos dias. Mas os antigos gregos, usavam também a palavra “Energheia” para assinalar a atitude dos escravos no cumprimento de um trabalho. Este significado, recuperou-se na segunda metade do século XVIII, com o início da revolução industrial, para descrever as leis que regulavam a capacidade das novas máquinas cumprirem determinado trabalho. A partir desse momento, a definição de energia na linguagem científica passou a ser “a capacidade de realizar trabalho”.

A ENERGIA É MULTIFORME E TRANSFORMA-SE

Existem dois grandes tipos de energia: a energia cinética ou dinâmica é aquela que se manifesta através de um corpo em movimento; por outro lado, a energia associada à posição de um objecto, chama-se energia potencial. Por exemplo, uma pedra em cima de uma mesa contém energia potencial. Se empurrarmos essa pedra para o chão, a pedra em movimento usa energia cinética. Da mesma forma, os alimentos que nós ingerimos, contêm energia química que o nosso corpo armazena – energia potencial, até ser libertada no desempenho das nossas actividades – energia cinética.

A energia pode existir numa variedade de formas e pode ser transformada de um tipo de energia para outro. Contudo, estas transformações obedecem a um princípio dos mais fundamentais de toda a ciência: o Princípio da Conservação de Energia – “numa transformação, a energia não é criada nem destruída” ou seja, a quantidade de energia contida no Universo é constante e eterna.

Existem assim, várias formas de energia que se transformam entre si: energia térmica, energia luminosa, energia mecânica, energia eléctrica, energia química e energia nuclear. Cada gesto do nosso quotidiano, implica uma transformação de energia: por exemplo, quando acendemos uma lâmpada, a energia eléctrica transportada pela corrente eléctrica, vem até ao filamento da lâmpada e transforma-se em energia térmica (a lâmpada aquece) e em energia luminosa (a lâmpada ilumina a nossa mesa); já na fotossíntese, a clorofila das plantas transforma a energia luminosa do sol em energia química, que permanece armazenada nas plantas até entrar na cadeia alimentar e assim continuar a sofrer sucessivas transformações energéticas. Em última análise, todos os seres vivos devem a sua existência à capacidade de cada um retirar a energia do ambiente e de a transformar numa forma útil ao seu funcionamento vital.

AS FONTES DE ENERGIA

O ser humano tem sido pródigo em “exigir” do meio ambiente fontes de energia para serem transformadas em formas de energia que possam ser directamente utilizáveis na satisfação das suas comodidades e das suas necessidades: um automóvel ou um motor eléctrico, são exemplos de máquinas capazes de transformar uma forma de energia numa outra, para a satisfação das exigências da nossa sociedade.

Todas as formas de energia estão armazenadas de maneiras diferentes nas várias fontes de energia que temos à nossa disposição e que  podem dividir-se em fontes de energia renováveis ou alternativas e fontes de energia não renováveis ou convencionais: no primeiro grupo incluimos a energia hídrica, eólica, solar, geotémica, marés, ondas e biomassa, já que são fontes de energia inesgotáveis, que podem ser repostas no curto ou médio prazo, espontâneamente ou por intervenção humana; no grupo das energias não renováveis, incluem-se o carvão, o gás natural, o petróleo (que representam a grande fatia das fontes de energia consumidas pela humanidade) e o urânio (que constitui a base do combustível nuclear), já que a quantidade existente na natureza é limitada e portanto o seu consumo esgota os “stocks”  existentes.

COMO SE MEDE A ENERGIA

Uma das dificuldades na abordagem dos temas relacionados com os recursos energéticos, é o grande número de unidades de medida utilizado, em função dos diferentes tipos de combustível que nos aparecem referenciados, quer no sistema britânico (pés, galões e libras), quer no sistema métrico (metros, litros e quilogramas).

 A energia pode de facto ser medida de várias maneiras: barris para o petróleo; metros cúbicos para o gás natural; toneladas para o carvão; quilowatt-horas para a electricidade... Mas para comparar os diferentes combustíveis, é necessário saber converter as medidas para as mesmas unidades e assim, poder comparar o conteúdo energético e os custos das diferentes energias.

Uma das unidades usadas para medir e comparar o conteúdo energético de um combustível é o Btu (british thermal unit), que é uma medida britânica que mede a energia calorífica. Um Btu é a “quantidade de energia necessária para elevar a temperatura de uma libra de água (0,454 litros) em um grau Farenheit”.

A energia pode também ser medida em Joules que é uma unidade de força mecânica. Um Joule é a “quantidade de energia necessária para levantar 454 gramas (uma libra) do chão a uma altura de nove polegadas (22,86 cm)”. São necessários 1055 Joules para igualar 1 Btu.

Por exemplo a quantidade de energia contida num barril de petróleo bruto (159 litros) é de 5,6 milhões de BTUs e um KWh (kilowatt-hora ou 1000 watts/hora) de electricidade é igual a 3.412 BTUs. Assim, podemos calcular a equivalência entre barris de petróleo e killowatts-hora, e determinar que, em termos energéticos um barril de petróleo bruto é igual a cerca de 1650 KWh e que com essa quantidade de energia podemos manter acesa uma lâmpada de 100 watts durante 16500 horas. (o consumo de eletricidade de uma família média em Portugal, é de cerca de 350 KWh/mês

Ou então, podemos decidir qual é a energia mais barata para aquecer a nossa casa. Por exemplo, se usarmos 2000 m3  de gás natural para aquecer a nossa casa no Inverno (o consumo de gás natural de uma família média em Portugal é de cerca de 350 m3/mês), como sabemos que a energia contida num m3 de gás natural é de 36.233 BTUs/m3 depressa concluímos que em termos energéticos usamos 72.466.000BTUs. Ora como a energia contida num litro de óleo diesel é de 36.720 BTUs, iremos necessitar de 1973 litros de diesel para conseguir a mesma quantidade de energia. Depois é só fazer contas ao preço unitário e tomar a melhor opção.

Por outro lado, uma caloria é a quantidade de calor necessária para aumentar a temperatura de um grama de água em um grau centígrado. Sabendo que uma caloria é igual a 4,184 joules e sabendo que um homem adulto consome cerca de 2.400 kcal (ou seja 2.400.000 calorias) é possível determinar as suas necessidades energéticas diárias em joules e concluir que ele necessita de cerca de 10.050 kj (kilojoules por dia).

Já agora, podemos ficar a saber que a quantidade de energia necessária para aumentar a temperatura de 1 kg de água em 1 ºC é de 4.186 joules, e que essa energia é capaz de elevar essa água a 427 metros de altura. Essa constatação, permite-nos tomar decisões sobre estratégias de conservação de energia, já que podemos concluir que, o aquecimento tem necessidades energéticas muito mais intensivas.

Para se medir energia, é necessário também ter uma noção clara dos múltiplos do sistema métrico. Por exemplo 1 watt multiplicado por 1000 é igual 1 quilowatt que multiplicado por mil é igual a um mega watt e assim sucessivamente giga, tera ou peta watt .

Enfim, o estudo e a análise das questões energéticas, obriga a ter sempre presente, tabelas de conversão de unidades de medidas, que permitam fazer a integração e a comparação entre as muitas unidades de medida físicas e energéticas utilizadas.

CONSUMIR MAS……

Como é fácil de entender, o uso de energia no mundo atinge números astronómicos. No início do século XXI, a humanidade usava cerca de 430 quads / ano de energia, provenientes na sua grande maioria das energias não renováveis - (No vetor da energia do carvão, um quad equivale a cerca de 36 milhões de toneladas!!)
Para melhor se apreciar a grandeza dos números, podemos ficar a saber que um quad é igual a 1015 BTUs ou seja, o consumo energético do mundo no início do século XXI é de cerca de 430.000.000.000.000.000 BTUs (430 quatrilhões de BTUs) e a Agência Internacional de Energia estima que o consumo energético cresça a um ritmo que se aproxima dos 2% ao ano, até ao ano de 2040. Nessas previsões, as energias não renováveis irão continuar a contribuir com a maior fatia das nossas necessidades energéticas.
Dá que pensar!

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Editorial




EDITORIAL



Nesta imagem, pode ver-se em segundo plano, a torre de pesquisa petrolífera da sondagem Lapaduços-1, realizada em 2005, próximo da aldeia de Lapaduços - Freguesia de Vila Verde dos Francos, Concelho de Alenquer. Deste moinho de vento, saia a farinha, com a qual o padeiro de Lapaduços, fabricava o pão que todas as manhãs alimentava os trabalhadores da sondagem.


A humanidade vive hoje num limbo sobre o futuro energético e ambiental do Planeta: a população mundial continua a aumentar e a ambição de todos, para uma melhor qualidade de vida, exige cada vez maiores disponibilidades energéticas; por outro lado, a produção de energia é exigente do ponto de vista ambiental e a exploração dos recursos naturais do planeta ultrapassa a sua capacidade de regeneração.
A ciência e a tecnologia, procuram incessantemente o "Santo Graal" da energia, mas esse é um processo que está  ainda na sua génese e a reconversão energética do Planeta, está ainda a mais do que uma geração de distância. Temos que aumentar a eficiência energética das nossas casas, das nossas industrias, dos nossos transportes, alterar hábitos de consumo, melhorar a disponibilidade dos transportes públicos, melhorar a mobilidade e o conforto pedonal das nossas cidades, evoluir para um adequado mix de energias, capaz de responder às necessidades e aspirações das pessoas ...
Vivemos num mundo global e temos que olhar à nossa volta, para conseguirmos perceber o atual paradigma energético, não só em Portugal, mas no resto do Mundo. É preciso evitar populismos e demagogias que, muitas vezes, resultam na nossa afirmação pessoal e não vão para além de um simples "prazer" imediato, que não reflete, verdadeiramente, uma atitude ambientalmente correta!
Por isso, este é um blog  que se propõe evidenciar informação estatística, técnica, científica  e ambiental acerca das várias fontes de energia disponíveis em Portugal e no resto do Mundo e que se quer aberto ao diálogo, de forma a poder ir ao encontro da compreensão da generalidade das pessoas. Por outro lado, será também um testemunho das minhas experiências e das minhas opiniões  pessoais, que irão extravasar o âmbito desta temática, já que a energia é essencial e transversal a todos os aspectos da nossa vida pessoal e colectiva!