quinta-feira, 27 de junho de 2019



VAMOS FALAR DE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
EM BUSCA DA TEMPERATURA PERDIDA


INTRODUÇÃO
Antes de mais, importa enquadrar alguns conceitos, que nos ajudem a sintetizar o complexo significado da expressão "alterações climáticas".
De acordo com o artigo 1 da Convenção-Quadro das Alterações Climáticas das Nações Unidas (Framework Convention on Climate Change - UNFCCC), as alterações climáticas são definidas como "uma mudança climática que é atribuída, direta ou indiretamente, à atividade humana, que altera a composição da atmosfera global e que é adicional à variabilidade climática natural, ao longo de períodos de tempo comparáveis".
Importa, por isso, salientar que a UNFCCC faz uma distinção entre as alterações climáticas atribuíveis à atividade humana, devido a alterações na composição atmosférica e à variabilidade climática atribuível a causas naturais. Ou seja, as alterações climáticas são devidas a forças externas "external forcings", que podem ser  processos internos naturais (alterações da órbita da Terra à volta do Sol, erupções vulcânicas, mudanças na circulação dos oceanos... ou, a mudanças antropogénicas persistentes na composição da atmosfera ou no uso da terra, nomeadamente a gases com efeito estufa ou a aerossóis.
Para esta complexa equação, é necessário introduzir também os efeitos ou "feedbacks" internos do sistema, que podem ser positivos - o desaparecimento do gelo,  (albedo), o derreter do solo "permafrost", o vapor de água, a destruição das florestas...,  ou negativos - o aumento da nebulosidade, a erosão química das rochas ou o aumento da precipitação...
Assim, os "feedbacks" internos do sistema, podem amplificar ou diminuir as forças externas "external forcings" e ajudar-nos a determinar a sensibilidade climática ou o futuro do nosso clima.
Sensibilidade climática ou "climate sensitivity" é o termo usado pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) para expressar a relação entre as emissões causadas pelo ser humano que aumentam o efeito estufa - dióxido de carbono e uma variedade de outros gases de efeito estufa - e as mudanças de temperatura que resultam dessas emissões. Resumidamente, este conceito procura responder a uma questão fundamental: qual será o valor das mudanças de temperatura, se duplicarmos a quantidade de gases com efeito estufa na atmosfera.
Em suma, podemos afirmar que o sistema climático é regido pela interação de dois fluídos turbulentos que são dominados por circulações irregulares, que trocam calor entre si e exercem tensão uns sobre os outros: os oceanos e a atmosfera.

Há, portanto, muitas perguntas em busca de resposta, neste complexo sistema de equações climáticas: Será que existe um saldo positivo ou negativo nos múltiplos "feedbacks" ou efeitos climáticos?
Será que as causas são essencialmente naturais, ou são sobretudo causadas pela ação humana?
Qual é a sensibilidade climática do nosso planeta?

Antes de prosseguirmos com o desenvolvimento deste  texto, é necessário retirarmos da equação uma falácia que, de alguma forma, tem contaminado o debate público  sobre as alterações climáticas:  "97% de cientistas concordam com a primazia dos efeitos antropogénicos do clima".
O cientista social John Cook da Universidade de Queensland na Austrália, analisou a evolução do consenso científico sobre o aquecimento global antropogénico na literatura científica, e examinou 11.944 resumos de publicações científicas sobre o clima, entre 1991 e 2011, tendo chegado às seguintes conclusões:
- 66,4% dos resumos, não expressaram opinião sobre o aquecimento global antropogénico;
- 32,6% expressaram uma opinião sobre o aquecimento global antropogénico,  
Entre os 32,6% que expressaram posição sobre o aquecimento global antropogénico, 0,7% rejeitaram a influência humana no aquecimento global, 0,3% não tinham a certeza das causas do aquecimento global e 97,1% expressam uma posição de consenso de que os seres humanos são a causa primeira do aquecimento global. Ou seja, dos 11.944 resumos científicos analisados, houve 31,6% de consenso de que o aquecimento global se deve sobretudo à ação humana.
Depois, foi só lançar o rastilho: com base nesta informação, Barak Obama publicou no twitter para os seus 31 milhões de seguidores que, 97% dos cientistas concordam com o aquecimento global antropogénico e, rapidamente o Aquecimento Global Antropogénico se tornou na "religião oficial" das Nações Unidas.
Podemos aqui, utilizar uma metáfora política eleitoral: houve 65% de abstenções e o partido vencedor, teve uma  vitória esmagadora com 97% dos votos, mas que, na realidade, só correspondem a 32% dos eleitores.
Agora que esta questão ficou clarificada, podemos afirmar que, de um modo geral, a comunidade científica (cépticos e consensuais) reconhece que o planeta Terra está a atravessar um período de variabilidade climática e que, as ações antropogénicas, fazem parte desta equação. 
Mas não é aqui que se centra o debate. O debate centra-se, sobretudo,  no grau de influência do ser humano nessas alterações climáticas! Neste contexto, é importante compreender o seguinte: ao contrário de muitas outras ciências, a evolução climática ao longo de um período alargado de tempo, não pode ser demonstrada em laboratório e por isso assenta em complexos modelos de previsão com múltiplas variáveis que, naturalmente, incluem os gases com efeito estufa produzidos pelo ser humano, nomeadamente o CO2. Dependendo da "força" que se dá a cada uma dessas variáveis dentro dos modelos existentes, assim será diferente o "resultado" para a evolução do clima.
A verdade é que, ao longo de todo o século XX, a temperatura não aumentou constantemente, mas sim em intervalos irregulares: 
1910 - 1940, são anos marcados por uma tendência distinta de aquecimento
1945 - 1970, houve uma ligeira tendência de arrefecimento
1970 - 1998, houve uma tendência de aquecimento acentuado e, finalmente 
Século XXI, não há qualquer tendência clara de aquecimento
E é neste ponto, que se desenvolve o verdadeiro debate climático. Onde estão os verdadeiros contributos para as alterações climáticas? Qual é a sensibilidade climática do nosso Planeta?
Cientistas como  Nir Shaviv , Professor de Física da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirma que os gases antropogénicos têm um papel muito menos importante no aquecimento global do que aquele que é normalmente considerado e afirma que a sensibilidade climática da Terra é inferior à que é incorporada nos modelos do IPCC. Ele afirma que a sensibilidade climática (aumento da temperatura que resulta da duplicação do CO2) varia entre 1º e 1,5º C enquanto que os modelos do IPCC consideram valores entre 1,5º C e 4,5º C o que não é compatível com a realidade observada.

Nir Shaviv considera que o Sol é a principal variável para as alterações climáticas e, em 2018, numa audição perante Bundestag (parlamento alemão) apresentou o gráfico acima sobre o qual fez a seguinte declaração: " Este é um dos gráficos mais importantes para o debate climático e que o IPCC tem siplesmente ignorado. Publicado em 2008, podemos observar uma clara correlação entre a taxa de variação do nível do mar e a atividade solar. Isso prova, sem sombra de dúvida, que o Sol tem um grande efeito sobre o clima. Mas esse facto é ignorado!"

EM BUSCA DA TEMPERATURA PERDIDA
No "Quinto Relatório de Avaliação do IPCC" publicado em 2013, foi apresentado um gráfico (abaixo representado) onde são reveladas as discrepâncias entre os valores de aumento da temperatura que resultam dos modelos do próprio IPCC e aqueles que têm sido, de facto observados.
Este gráfico, compara as tendências das temperaturas verticais tropicais (até aos 50 mil pés) dos modelos do IPCC, com as observações de leituras reais feitas através de satélites e balões atmosféricos, entre os anos de 1979 e 2010.
Aqui, podemos observar curvas com 3 cores diferentes: 
As curvas vermelhas mostram o intervalo da tendência das temperaturas dos modelos do IPCC que incorporam os gases com efeito estufa.
As curvas azuis, mostram o intervalo da tendência de temperaturas dos modelos do IPCC que não incorporam os gases com efeito estufa.
As curvas cinzentas, mostram os intervalos de leituras reais que foram observados.
O que é relevante neste gráfico é a falta de sobreposição entre o modelo que incorpora os gases com efeito estufa (vermelho) e os valores observados (cinzento); enquanto que,  o modelo que não incorpora os gases com efeito estufa (azul) sobrepõe-se, quase completamente com os valores observados.
Com base na análise deste gráfico, o Cientista John Christy, Professor de Ciência Atmosférica da Universidade do Alabama em  Huntsville reformulou/simplificou a informação que foi apresentada ao Congresso Americano em 2016 através do gráfico seguinte.

Neste gráfico, podemos observar curvas de 3 cores diferentes que avaliam informação climática entre 1979 e 2016
A curva vermelha mostra que, de acordo com os valores médios previstos por 102 modelos diferentes, a temperatura deveria ter subido 1º C entre 1979 e 2016.
A curva azul, mostra os valores observados por satélites nesse intervalo de tempo
A curva cinzenta mostra os valores das leituras de balões atmosféricos e a sua confirmação por entidades científicas independentes.
O que resulta de mais relevante neste gráfico é que, nesse intervalo de tempo, os modelos climáticos  previam uma subida de 1º C, enquanto que os valores observados registam um aumento da temperatura global de 0,5º C.
Como é fácil de perceber, estes factos são muito significativos na avaliação da sensibilidade climática do Planeta.
E é aqui que surge a pergunta: o que aconteceu à temperatura perdida?
Saliento que, os cientistas consensuais, não contestam esta informação e, por isso, procuram respostas científicas para estas discrepâncias dos modelos
O Cientista consensual Tom Wigley, Professor de Climatologia e Ciências do Ambiente da Universidade de Adelaide, defende que não há discrepâncias fundamentais entre os modelos climáticos e as observações e considera que essas discrepâncias se devem sobretudo a variações na circulação oceânica e às trocas de calor nas camadas superiores dos oceanos: quanto maior é o calor absorvido pelos oceanos, menor é o calor da atmosfera.

Através deste gráfico, (1850 - 2020) ele justifica que o aquecimento entre 1910 e 1945 foi devido a uma diminuição da circulação vertical dos oceanos e que, a estabilização do século XXI é devida a um aumento da circulação vertical dos oceanos.
Por outro lado, Tom Wigley considera que, entre esses dois eventos, houve pouca alteração na circulação dos oceanos e que a estabilização/ligeiro arrefecimento que ocorreu entre 1945 e 1975, foi causada por um efeito compensador do arrefecimento (feedback negativo) provocado pela  emissão de aerossóis para a atmosfera; e que o aumento de temperatura registado entre 1975 e o final do século XX foi devido às emissões controladas de SO2 (dióxido de enxofre) para a atmosfera e à consequente falta de compensação de arrefecimento provocada pela emissão de CO2.
No gráfico, Tom Wigley assinala também momentos de redução da temperatura que correspondem a uma atividade vulcânica relevante (setas azuis) e um pique de temperatura em 1997 -98, resultado do comportamento da corrente marítima El Niño.
PARA TERMINAR
O mundo vive quotidianamente sobre agressões permanentes: É a sobre-exploração dos solos; são os pesticidas e os fertilizantes; é a produção de algodão para satisfazer as modas do nosso quotidiano (a produção de uma simples tshirt, consome mais de 2 mil litros de água); é a perda de biodiversidade...

Todos os anos, milhões de toneladas de plástico vão parar aos nossos oceanos e, ao mesmo tempo que abalam a cadeia alimentar, introduzem microplásticos na alimentação humana, com todas as consequências previsíveis ao nível da saúde pública. Só a Coca-cola, a quem o mundo presta vassalagem todos os dias, produz anualmente 120 mil milhões de garrafas de plástico, das quais, menos do que 10% são recicladas.
Em 2017, só a floresta Amazónica perdeu 1,2 mil milhões de árvores para a produção de gado, produção de óleo de palma e para a tão amada soja utilizada na alimentação vegan e na produção de biocombustíveis. A quantidade de árvores perdidas nesse ano na Amazónia, corresponde à capacidade de absorção de CO2 da indústria Americana.
Só na Índia, há 300 milhões de pessoas sem electricidade e que cozinham com lenha dentro de suas casas, contribuindo, anualmente, para  quase 10 milhões de mortes prematuras por intoxicação devido à inalação de gases.
5,5 mil milhões de pessoas que vivem no mundo em desenvolvimento, emitem 5 vezes menos CO2 do que 1,5 mil milhões de pessoas que vivem no mundo desenvolvido. Será que temos que ser todos pobres para salvar o planeta?
Esta é uma questão que vai muito para além do clima. Esta é uma questão com profundas raízes económicas, sociais e políticas e que, muitas vezes, se revestem de interesses que vão muito para além das imaginações mais férteis das pessoas comuns. Tudo o que acontece hoje no Planeta parece ser devido às alterações climáticas e, um destes dias, até a violência doméstica terá como primeira causa o aquecimento global.
A ciência não é uma democracia. Ser consensual com o consenso, não torna a ciência nem mais, nem menos verdadeira. A ciência é feita sobre uma dúvida e sobre um questionamento permanente.
Não posso deixar de referir uma nuance que verifiquei no estudo que tenho vindo a realizar sobre estas matérias. Muitos cientistas consensuais, consideram que a única forma de prevenir os impactos do CO2 nas alterações climáticas é um forte investimento na energia nuclear!!!
Desde sempre, o Homo sapiens foi um agressor ambiental e poucas dúvidas existem que é também causador de alterações climáticas!  No entanto, a ciência climática, reveste-se de uma complexidade que está longe de estar resolvida/compreendida. Políticos, ambientalistas, jornalistas... todos querem dar uma dentada no filão do "aquecimento global" para gáudio dos lobbies alternativos aos combustíveis fósseis. Fica-se bem na fotografia: dá votos, dá dinheiro à investigação, a ONGs ambientalistas e ajuda a vender notícias. Por isso, eu não posso concordar com a da expressão "emergência climática"! Se queremos ser intelectualmente honestos, então deveríamos utilizar a expressão "emergência ambiental"!
Vivemos um momento singular na nossa história. Hoje somos cerca de 7,7  mil milhões de habitantes na Terra e em 2050 seremos cerca de 9 mil milhões. Todos ávidos de energia!  
A ciência não se faz em posts de 3 linhas e muitos likes no FB. A pior coisa que se pode fazer, é tomar decisões políticas assentes em pressupostos que poderão não corresponder à verdade científica.
Acredito na ciência, na tecnologia e na capacidade do ser humano se reinventar.  Por isso , é absolutamente necessário despolitizar o debate e apoiar a investigação fundamental de base, sobre as dinâmicas do clima! 


quarta-feira, 14 de novembro de 2018


FALÁCIAS: "quando o cão morde a mão do dono!"
"O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se de falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão, podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso"

A imagem seguinte mostra a intensidade de tráfego marítimo e a sua relação com a sondagem de pesquisa petrolífera que o consórcio GALP/ENI pretendia realizar a cerca de 50 kms da costa portuguesa

As cores mais quentes indicam intensidade de tráfego mais elevada. A estrela preta indica a localização aproximada da sondagem proposta. Em 2016, o movimento de navios comerciais próximo da área de estudo foi o seguinte: 4.555 no Porto de Lisboa; 3.236 no Porto de Setúbal; Sines 4810. O movimento marítimo total no continente foi de 21.577.
Fonte: Marinetraffic.com, 2018.

Falácia 1: 
Citando a Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP), o Jornal de negócios refere que a providência cautelar interposta pela PALP e que foi admitida pelo Tribunal de Loulé terá tido “por base uma alegada irregularidade de um processo conduzido pela Direcção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos”, que terá consistido, refere o jornal, na “não divulgação de estudos de monitorização de cetáceos quando este processo esteve em consulta pública”.
Ora, parar a pesquisa petrolífera por causa de uma inconformidade como a monitorização de cetáceos é no mínimo "risível", quando tomamos consciência das dezenas de milhares de embarcações que circulam diariamente em água territoriais portuguesas. Enquanto que uma sondagem de pesquisa é um ponto fixo no mapa e com níveis de ruído que se desenvolvem na maquinaria que se encontra na plataforma acima do nível das águas, há milhares e milhares de navios em movimento, a interferir na movimentação,comunicação e segurança  de cetáceos.

A imagem seguinte mostra o número de acidentes/incidentes ocorridos com embarcações nos mares da União Europeia entre 2011 e 2016. Neste mapa é possível verificar que, só em águas portuguesas, ocorreram nesse intervalo de tempo  232 acidentes/incidentes 
Fonte: European Maritime Safety Agency



Falácia 2:
 É óbvio que o perigo  chega diariamente ao litoral português devido ao intenso tráfego marítimo. Os números mostram que os riscos que enfrentamos todos os dias com o tráfego marítimo que entra nos nossos portos ou que atravessam as nossas águas territoriais pode ter um impacto potencialmente devastador. Ao largo da nossa costa, acontece, em média, um acidente/incidente a cada 9 ou 10 dias!

A imagem seguinte representa os navios tanques (petróleo bruto, produtos petrolíferos, gás natural, produtos químicos diversos... ) que à data de hoje, cruzam os oceanos e, em particular o Atlântico Norte.
Fonte: marinetraffic.com


Falácia 3: Os nossos oceanos são cruzados diariamente por centenas de navios tanque para o transporte de produtos petrolíferos e descarregam diariamente nas refinarias portuguesas cerca de 40 mil toneladas de petróleo. O mundo tem que perseguir novos paradigmas energéticos, mas deverá fazê-lo de forma sustentada, porque, em última análise, serão sempre os mais pobres a pagar a fatura. A oposição primária à pesquisa petrolífera, persegue objetivos políticos que pouco têm a ver com objetivos ambientais. Se assim não for, deveríamos, por exemplo, pedir aos nossos "ambientalistas políticos" ou "politico ambientalistas", para se pronunciarem, por exemplo, acerca da sobre exploração agrícola no Concelho de Odemira, ou acerca da sobre exploração turística do litoral do Concelho de Vila do Bispo, só para mencionar duas enormes preocupações ambientais presentes no nosso país 

A imagem seguinte mostra o tráfego total de navios que, há data de hoje, cruzam os oceanos e, em particular o Atlântico Norte
Fonte: marinetraffic.com


Falácia 4: Todo o tráfego marítimo é movido por combustíveis fósseis e não existe tecnologia alternativa. Os carros que nos chegam as roupas que vestimos, a soja que comemos..... chegam-nos movidas a combustíveis fósseis. Pensar-se que no curto ou médio prazo poderemos viver sem petróleo é uma enorme falácia.

Numa palestra apresentada em Londres no dia 8 de Outubro de 2018 promovida pela GWPF  - Global Warming Policy Foundation, Richard Lindzen especialista em física da atmosfera, Professor de Metereologia do MIT - Massachussets Tecechnological Institute, e membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, conclui assim a sua intervenção: 
"E assim , chegamos a este ponto. Conjecturas que não são cientificamente razoáveis ou aceitáveis, suportadas por falsas evidências e repetidas incessantemente, tornaram-se em "conhecimento" politicamente correto e são usadas para promover uma reviravolta na civilização industrial. Aquilo que iremos deixar aos nossos netos não é um planeta estragado pelo progresso industrial, é um registo de uma imensa tolice e uma paisagem degradada por "quintas eólicas ferrugentas e campos de painéis solares decadentes". Não seremos poupados pelas falsas afirmações de que existe uma concordância científica de 97% dos cientistas sobre os malefícios do CO2, mas a disposição de muitos cientistas para se manterem "dormentes", irá provavelmente reduzir a confiança e o suporte para a ciência. Mas talvez isso não seja completamente mau, pelo menos no que diz respeito à "ciência oficial".
Há pelo menos um aspeto positivo na presente situação. Nenhuma das políticas propostas terá um impacto significativo nos gases com efeito estufa (o vapor de água é o principal gás de efeito estufa, que por sua vez é comandado pela atividade solar). Por isso, iremos continuar a sentir os benefícios de valores elevados de CO2, principalmente como fertilizante de plantas e pelo aumento da sua capacidade de resistência a situações de seca. Entretanto, o IPCC reclama a necessidade de prevenir um aumento de mais 0,5º C de temperatura, embora o aumento de 1º C de temperatura que ocorreu nas últimas dezenas de anos tenha sido acompanhado pelo maior aumento de bem-estar da história da Humanidade"
Termino dizendo que o mundo tem um enorme passivo ambiental que precisa de ser resolvido urgentemente: perda de biodiversidade, poluição e sobre-exploração de águas superficiais e subterrâneas, sobre-exploração agrícola, excesso de consumo de proteína animal e, de um modo geral o excesso de bens de consumo que suportam o nosso paradigma social.  Quando nós, pessoas comuns, nos  deixamos levar por uma estratégias de lutas titânicas  pelo poder social, político, económico que transformam o CO2 e os combustíveis fósseis como o Satanás do século XXI, estamos, não só a querer esvaziar um barco que se está a afundar com um dedal, mas, mais do que isso, estamo-nos a comportar como "o cão que morde a mão do dono"!












sexta-feira, 19 de outubro de 2018


CO2 - e o aquecimento global --- o alimento de uma máquina burocrática que vale hoje dezenas de milhares de milhões de euros

Sou um "herege climático"! É assim que a ortodoxia climática do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) designa todos aqueles que questionam e não seguem a "religião oficial". Há uma tal intolerância sobre este tema, que a contestação da "religião oficial" da ortodoxia climática, é a afirmação mais politicamente incorreta que se pode produzir nos nossos dias.
"Acredito" nas alterações climáticas (que eu prefiro chamar de variabilidade climática), mas não "acredito que o CO2 do IPCC seja o "Franknstein" dessas alterações. O IPCC , como qualquer organismo corporativo, é uma organização política e as suas conclusões são políticas. Dessa forma, uma teoria sobre o clima transformou-se numa ideologia política. E assim, os cientistas climáticos precisam de um problema para angariar fundos para a sua investigação, que todos os anos gere milhares de milhões de euros.
Hoje em dia, duvidar da ortodoxia climática, é quase criminoso e fecha as portas à investigação e a muitos investigadores. Se quisermos investigar um qualquer fungo na casca do sobreiro, só conseguiremos financiamento se na apresentação do projeto relacionarmos o fungo com as alterações climáticas da ortodoxia do IPCC.
Há censura e intimidação e o "aquecimento global" tornou-se numa religião em que quem discorda é herético. Este estado de espírito, ficou aliás bem patente, na recente conferência da Universidade do Porto que reuniu cientistas "heréticos climáticos", que foram, literalmente, lançados na fogueira por defensores da religião oficial, na exata proporão com que se lançavam bruxas na fogueira no tempo da inquisição.
Eu não sou cientista, mas vivo na companhia de muitos cientistas credenciados que dizem que a "ciência oficial" é fraca e incerta. Refiro-me a cientistas como por exemplo:
Professor Tim Ball - Departamento de Climatologia da Universidade de Winnipeg - Canadá
Professor Carl Wunsch - Departamento de Oceanografia do MIT
Dr. Nigel Calder - foi editor da New Scientist, uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo
Professor Syun Ichi Axasouf - Diretor do Centro de Pesquisa Internacional do Ártico
Patric Moore - co fundador da Green Peace
Professor Paul Reiter - especialista em entomologia (malária) do Instituto Pasteur e membro da Organização Mundial de Saúde
Dr Roy Spencer - Chefe de equipa de satélites meteorológicos da NASA.
Professor Ian Clark - Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Otawa, Canadá
Professor Philip Stott - Departamento de Biogeografia da Universidade de Londres

São muitos os cientistas que contestam as teorias oficiais do clima e  muitos afirmam já terem sido coagidos a aceitar integrar a lista dos cientistas da religião oficial, sendo que alguns deles tiveram que ameaçar o IPCC com processos em tribunal para não integrarem as fileiras daquela religião.
A teoria prevalecente, é que o desenvolvimento industrial suportado pelos combustíveis fósseis e a consequente libertação de CO2, está a causar o aumento da temperatura.
Gráfico da Nasa que mostra o aumento da temperatura desde 1850 até aos nossos dias

Desde 1850, (ver gráfico acima) que a temperatura aumentou cerca de 0,6 graus, mas este aquecimento começou muito antes dos carros e dos aviões terem sido inventados. Mais relevante ainda, é que a maior parte do aquecimento aconteceu antes de 1940 quando a industrialização ainda era incipiente. Mas ainda mais interessante, durante as 4 décadas seguintes a 1940 a temperatura baixou e em meados dos anos 70 do século passado, havia reportagens televisivas que mostravam preocupação pelo arrefecimento do planeta.
O CO2, é um gás natural produzido "por todas as vidas" - vulcões, bactérias, vegetação a morrer, oceanos e todos os animais, sendo que os humanos representam uma parte menor. O Planeta Terra já teve 10 vezes mais CO2 do que tem nos dias de hoje e nunca se conseguiu associar alterações climáticas ao CO2 e, em particular, nenhuma das alterações climáticas dos últimos 1000 anos pode ser explicada pelo CO2.
Gráfico de variação da temperatura nos últimos 1000 anos
Durante este intervalo de tempo, (ver gráfico acima) a Europa passou por um período  de aquecimento que correspondeu a um período de expansão económica, designado por "Medieval Warm  Period" --   também conhecido por "Medieval Climate Optimum" -- mas passou também por um período de arrefecimento designado por "Little Ice age" e que correspondeu a um período de depressão económica. A generalidade dos cientistas atribuem esta variabilidade climática a variações da atividade solar, variações da atividade vulcânica e a alterações na circulação oceânica.
O CO2 representa 0,054% do total de gases na atmosfera (oxigénio, argon, nitrogénio,...), sendo que essa percentagem é equivalente a 0,54 milímetros num metro. O mais importante gás de efeito estufa é sem qualquer querela científica o vapor de água, que representa cerca de 95% dos gases com efeito estufa.
Mas afinal, o que é que se passa com os gases de efeito de estufa? Eles encontram-se no meio da tropoesfera, a cerca de 10 kms de altitude, que é onde o aquecimento deveria ser mais elevado. Mas na realidade, isso não está a acontecer. A temperatura está mais alta à superfície o que é um indicador de que o aquecimento não está a ser provocado por gases de efeito estufa.
Mas se não são os gases de efeito estufa, o que é que está a aquecer o planeta? 
A atividade solar é há muito tempo investigada e está cada vez mais bem conhecida. Os "Sun Spots" são na verdade gigantescos campos magnéticos. Se tivéssemos olhos RaioX, perceberíamos bem que a nossa "simpática estrela" é na realidade muito violenta!
Sun spots
Há muito tempo que os astrónomos em todo o mundo estudam os "sun spots" e os associam a variabilidade climática. Mas mais recentemente, foi possível fazer uma correlação quase perfeita entre temperatura e atividade solar. É isto que mostram as curvas azuis e vermelhas dos gráficos seguintes para os últimos 100 anos e para os últimos 400 anos.
Correlação quase perfeita entre temperatura e atividade solar nos últimos 100 anos

Correlação quase perfeita entre temperatura e atividade solar nos últimos 400 anos


Por outro lado a Terra está a ser constantemente bombardeada por partículas sub atómicas (raios cósmicos). A interação destas partículas cósmicas com o vapor de água, dá origem a gotículas de água e à consequente  formação de nuvens que têm um efeito de arrefecimento  porque refletem os raios solares antes de atingirem  da superfície terrestre.
As nuvens têm um efeito de arrefecimento na superfície da Terra, porque refletem os raios solares

Quando a atividade solar é maior e os ventos solares são mais fortes, há menos partículas cósmicas que chegam à Terra e menor formação de nuvens. Ou seja, o clima é controlado por nuvens, as nuvens são controladas por Raios Cósmicos que por sua vez são controlados pelos ventos solares. Quantos mais raios cósmicos atingirem a terra, maior é a formação de nuvens. Quanto menos Raios Cósmicos atingirem a Terra menor é a formação de nuvens. Deste modo, como as nuvens têm um efeito de arrefecimento sobre a superfície terrestre se houver menos nuvens a temperatura irá subir. O SOL, vital para a vida, é também o controlador da variabilidade climática do Planeta. Se a atividade solar é maior a temperatura aumenta, se a ativdade solar é menor a temperatura diminui!
Mas então porque é que aprecem gráficos de correlação CO2/ temperatura, nomeadamente o gráfico que tornou famoso Al Gore no seu filme Verdade Inconveniente e que a seguir se reproduz?
A informação deste gráfico foi obtida a partir de "carotes" de gelo e permitiu a reconstituição  da correlação CO2/temperatura nos últimos 400 mil anos, que apresenta uma relação quase perfeita entre variações de CO2 e temperatura. 

Na realidade, a resposta é bastante simples. Quanto mais elevada for a temperatura dos oceanos, maior é a libertação de CO2 retido nas águas do mar. Quanto menor for a temperatura da água dos oceanos, maior é a sua capacidade de absorção de CO2. Ora o que a Verdade Inconveniente diz é que a temperatura aumentou por causa do CO2. Na realidade, os argumentos contraditórios dizem que, de facto a temperatura aumentou, o que provocou uma maior libertação de CO2 das águas do mar e que de facto, há um desfasamento temporal de cerca de 800 anos entre o aumento da temperatura e o aumento de CO2. É o aumento de temperatura que provoca mais CO2 e não o seu contrário.
Dito isto, estou cada vez mais convencido de que estamos a distorcer os nossos esforços científicos com a investigação de uma área científica relativamente pequena. Poderemos fazer a seguinte analogia: o meu carro não anda e eu vou ignorar o motor e a transmissão e vou modelar a minha avaria a partir de um parafuso da roda esquerda. Todos os modelos computacionais para previsões futuras do clima assentam no CO2, porque é mais importante e mais lucrativo produzir um modelo que seja interessante do que um modelo que esteja correto. Há uma tendência para o dramatismo e até os mais elementares princípios jornalísticos neste domínio, parecem estar a ser abandonados.
Há muitas verdades inconvenientes na ortodoxia climática do IPCC. Talvez a maior de todas elas seja o facto de muitos "cientistas" desse organismo não serem de facto cientistas. O aquecimento global antropógenico, criou uma indústria de burocratas ambientalistas que não abrem mão dos privilégios conquistadosFoi a conservadora Margaret Thatcher a primeira política a acreditar na teoria do “efeito estufa”. Ela estava preocupada com o aumento do poder dos árabes (petróleo) e com o aumento do poder dos sindicatos esquerdistas (mineradores de carvão), e então decidiu que era preciso ignorá-los e investir em energia nuclear. Para convencer o público, usou como propaganda a teoria de que os combustíveis fósseis causariam o aumento da temperatura, por meio de efeito estufa, e que isso significava uma única coisa: catástrofe climática. Hoje, as esquerdas de todo o mundo usam a bandeira ambiental de um governo de direita na sua agenda política. Essa agenda política foi incrementada de forma muito eloquente pelos saudosistas da União Soviética a partir do final da década de 80 do século passado, porque encontraram nessa bandeira um foco de unificação de uma ideologia que desmoronou. É por isso que as "causas verdes" estão hoje associadas às esquerdas políticas - veja-se o caso português em que os Verdes estão em coligação eterna com o PCP. 
Quero ainda referir um pequeno facto científico e histórico que não faz parte da retórica do CO2 climático, não sei se por ignorância ou estratégia:
O mosquito da malária é uma das armas de arremesso dos ambientalistas portugueses. No entanto, deveriam saber que esse bichinho não é uma exclusividade dos trópicos, que está se alastrando agora devido ao suposto “efeito estufa”. A maior epidemia de malária já registada ocorreu dentro do círculo ártico, nos anos 1920, na União Soviética, tendo contaminado certa de 12 milhões de pessoas e matado 600 mil.
Hoje em dia tornou-se comum explicar tudo e mais alguma coisa como resultado das alterações climáticas, mas a verdade é que o Planeta nunca se aquieta. Encontra-se num fluxo constante. No último milhão de anos houve uma idade do gelo a cada 100 mil anos e a vida continuou! Há dezenas de milhares de anos que o Homo sapiens é o predador do topo da pirâmide. Ao longo da sua existência o Homo sapiens está associado a grandes catástrofes ambientais, apesar de haver investigadores que querem associar essas catástrofes do passado às alterações climáticas. Há cerca de 45 mil anos, por exemplo, quando o Homo sapiens chegou à Austrália, em poucos milhares de anos, 23 das 24 espécies animais Australianas que pesavam 50 ou mais kilos,  desapareceram. O mesmo aconteceu na América do Norte com a chegada do Homo sapiens há 14 mil anos: 34 dos seus 47 géneros de grande mamíferos foram extintos em pouco tempo e a América do Sul perdeu 50 dos seus 60 géneros de grandes mamíferos com a chegada do Homo sapiens
O mundo precisa de cuidados e o homem tem que aprender a cuidar do Planeta. O uso super intensivo dos solos é um enorme problema; a perda de biodiversidade é um enorme problema; a destruição das florestas tropicais é um enorme problema; o subdesenvolvimento humano onde existem dois mil milhões de pessoas sem electricidade, é um enorme problema; o continente africano que depende em 80% do carvão vegetal para as suas necessidades energéticas e a consequente destruição florestal é um enorme problema!...
O CO2 é só um parafuso da Roda, que serve para alimentar uma máquina burocrática de interesses políticos e ambientais que valem hoje dezenas e dezenas de milhares de milhões de euros!




domingo, 2 de setembro de 2018

Nos próximos dias 7 e 8 de Setembro, irá decorrer na Universidade do Porto, uma conferência Internacional subordinada ao tema "Ciência Básica nas Alterações Climáticas. 
Esta conferência surge na sequência da conferência subordinada a este tema e realizada em Londres - 2016 e propõe-se alargar o debate científico sobre os estudos científicos ligados às alterações climáticas.
Um dos organizadores e oradores desta conferência é o Professor Jubilado - Nils-Axel Mörner, -- que foi Diretor do Departamento de Paleogeofísica e Geodinâmica da Universidade de Estocolmo e é um dos cientistas críticos do IPCC - Painel Internacional para as Alterações Climáticas.
 O debate científico continua em aberto e, pessoalmente eu sempre duvidei de unanimidades. Por isso estarei sempre disponível para promover o contraditório. Antecipo, aqui, algumas das suas notas e conclusões sobre este tema.
 "O estudo sobre mudanças climáticas e mudanças no nível do mar foram inicialmente estudados pelas disciplinas geológicas, paleontológicas e geográficas. Essa análise, significou uma ancoragem profunda nos fatos observacionais enquanto a meteorologia foi confinada ao estudo e previsão do tempo. É uma tragédia científica que muito trabalho sobre mudança climática e variabilidade do nível do mar seja agora (após o projeto do IPCC _Painel Internacional para as Alterações Climáticas - ter começado no final dos anos 80) assumido pela disciplina meteorológica, que não tem tradição em análises históricas.
• O que hoje frequentemente chamamos de “clima extremo”, não é de forma alguma extremo e incomum; em vez disso, é uma característica natural das nossas “máquinas meteorológicas”. As análises de tempo / evento não registam  tendências que apontem para um aumento dramático em relação ao passado - presente.
• O CO2 como principal impulsionador da mudança climática é um grave erro. Na verdade, é baseado em "um erro elementar e grave que até agora forneceu o pretexto para uma preocupação mundial equivocada sobre a mudança climática". Em 2100, a temperatura provavelmente não aumentará mais que 0,3 ° C. As emissões humanas adicionam apenas 18 ppm e a natureza adiciona 392 ppm dos atuais 410 ppm de CO2 na atmosfera, o que implica que o efeito da temperatura da emissão humana é insignificante.
• Um aumento do nível de CO2 na atmosfera atua como fertilizante para o Reino Vegetal, na terra assim como no mar.
• A acidificação oceânica é um conceito atual não fundado na oceanografia e na história geológica . De fato, a vida marinha floresce onde o CO2 é abundante. O dióxido de carbono na água do mar não dissolve os recifes de coral, mas é essencial para a sua sobrevivência. A Grande Barreira de Corais convive bem com o CO2.
• Variações na pressão atmosférica total foram propostas como uma explicação alternativa às mudanças observadas no clima.
• O Sol e as variações na atividade solar com o tempo são, obviamente, os principais impulsionadores das mudanças no clima e nos parâmetros relacionados no Planeta Terra. Os movimentos planetários e seus efeitos na variabilidade solar geram mudanças na luminosidade e no vento solar.            A variabilidade solar (o efeito do vento solar no campo geomagnético e sua capacidade de proteção)  é registrada pelas mudanças nas concentrações atmosféricas de isótopos 14C e 10Be. Um número de ciclos é detectado, o que coincide com a batida planetária no sol. Há um claro ciclo de 60 anos que é documentado num grande número de parâmetros da Terra indicando que ele deve ser impulsionado principalmente pelas variações do vento solar (também ligadas a mudanças na luminosidade). As alternâncias entre a “Grande Solar Máxima” e a “Grande Solar Mínima” são especialmente poderosas no clima (alternância de fases quentes com Little Ice Ages – Pequenas Idades do Gelo), circulação oceânica (por exemplo, a Corrente do Golfo que penetra até o Mar de Barents alternando com restrições a baixas latitudes) e mudanças no nível do mar (alto nível do mar no norte e baixo nível do mar na região equatorial, alternando com baixos níveis do mar no norte altos níveis do mar na região equatorial). 
Espera-se que o futuro Grande Mínimo Solar (com as condições climáticas da Pequena Idade do Gelo ) ocorra por volta de 2030-2050 e por volta de 2080-2100.
• A questão do aquecimento global, mudanças climáticas e aumento rápido do nível do mar é uma triste politização da geociência com o início do projeto do IPCC. Muito corretamente, tem sido chamado de "A maior mentira já contada".
Em jeito de conclusão, gostaria de fazer a seguinte analogia: a atmosfera tem hoje 410 ppms de CO2. Há cerca de 70 anos (em 1950) os níveis de CO2 na atmosfera eram de cerca de 310 ppm (ou seja menos 100 ppms). Esta diferença é equivalente a 0,1 milímetros num metro. Ora, na minha perspectiva não científica, afirmar que um aumento de 100 ppms de CO2 na atmosfera está a ser fatal para o clima da Terra, é a mesma coisa que afirmar que a casa ruiu porque o metro com que eu medi a parede tinha 0,1 milímetros a mais!!!
O debate continua e não sei quem tem razão, mas não gosto da forma inquisitório e maniqueísta como os "crentes" abordam esta questão. Gosto tanto da vida como aqueles que mais gostam dela! Mas não sou ingénuo: há lobbies e há lobbies!!

quarta-feira, 18 de julho de 2018



A PARÁBOLA DO ELEFANTE E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS


Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e reuni-os no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e  colocou-o diante do grupo. Em seguida, conduzindo-os pela mão, foi levando os cegos até ao elefante para que o apalpassem. Um apalpava a barriga, outro a cauda, outro a orelha, outro a tromba, outro uma das pernas. Quando todos os cegos tinham apalpado o paquiderme , o príncipe ordenou que cada um explicasse aos outros como era o elefante, então, o que tinha apalpado a barriga, disse que o elefante era como uma enorme panela. O que tinha apalpado a cauda até aos pelos da extremidade discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma vassoura. “Nada disso “, interrompeu o que tinha apalpado a orelha. “Se alguma coisa se parece, é com um grande leque aberto”. O que apalpara a tromba deu uma risada e interferiu: “Vocês estão por fora. O elefante tem a forma, as ondulações e a flexibilidade de uma mangueira de água…”. “Essa não”, replicou o que apalpara a perna, “ele é redondo como uma grande mangueira, mas não tem nada de ondulações nem de flexibilidade, é rígido como um poste…”. Os cegos envolveram-se numa discussão sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados, e que o certo era o que ele dizia. Evidentemente cada um apoiava-se na sua própria experiência e não conseguia entender como os demais podiam afirmar o que afirmavam. O príncipe deixou-os falar para ver se chegavam a um acordo, mas quando percebeu que eram incapazes de aceitar que os outros podiam ter tido outras experiências, ordenou que se calassem. “O elefante é tudo isso que vocês falaram.”, explicou. “Tudo isso que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam juntar as experiência de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante.”
Nesta parábola, as alterações climáticas, são o nosso elefante. As alterações climáticas, são atualmente protagonistas de um dos mais intensos e contenciosos debates científicos e sociais da humanidade.
Nenhum cientista tem dúvidas: as alterações climáticas são reais e sempre aconteceram ao longo dos últimos 570 milhões de anos, que é o período  até onde é possível fazer a reconstituição paleoclimática do Planeta Terra. A questão que permanece em aceso debate científico é se as alterações a que estamos a assistir atualmente se devem às acelerações das emissões de CO2 ou se se devem a causas naturais que sempre ocorreram ao longo da história do Planeta.
A verdade é que há um número crescente de cientistas que considera que a "política tem andado à frente da comunidade científica" e que existe um consenso científico fabricado e moldado por forças políticas dentro do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) Essa força crescente de contestação científica, considera que é uma simplificação errada eleger o CO2 como a principal alavanca das alterações climáticas e refere aquilo que é transversalmente reconhecido por toda a comunidade científica, incluindo aqueles que consideram o CO2 como o principal controlador do clima: há uma variação natural do clima e, portanto é necessário desenvolver uma teoria unificadora "CO2 -- causas naturais!"
É aqui que entra o nosso elefante: é preciso olhar para o animal inteiro! A comunidade científica ainda não sabe "desembrulhar" e perceber de que forma é que a produção dos efeitos antropogénicos do CO2 e as causas naturais contribuem para as alterações climáticas.
Facto 1: o recente aumento de temperatura que hoje se verifica, começou há 300 anos, no final da "pequena idade do gelo" e nós não tivemos nada a ver com o assunto. Esse foi o momento mais frio do planeta nos últimos 10 mil anos.
Facto 2: O aumento do nível do mar começou por volta de 1860, muito antes das emissões de CO2 se terem tornado relevantes, o que aconteceu depois de 1950.
Facto 3: O mar contem cerca de 45 vezes mais CO2 do que a atmosfera e a temperatura do mar determina qual a quantidade de CO2 que pode ser absorvida: quanto mais fria a água do mar, maior a quantidade de CO2 que pode ser absorvida.
Facto 4: Os níveis de CO2 existentes na atmosfera representam neste momento 0,4% (ou 400 ppm) do total da composição atmosférica e têm vindo a baixar nos últimos 600 milhões de anos
A Terra passa por variações da sua órbita (os chamados ciclos de Milankovich) em períodos que se repetem a cada 100 mil anos e muitos cientistas defendem que o aumento ou diminuição da temperatura causada por essa variação, induz uma maior ou menor capacidade das águas do mar para absorver CO2 e que portanto é a temperatura que provoca um aumento do CO2 e não o CO2 que provoca um aumento da temperatura.
Enfim, muitas perguntas ainda à procura de resposta e, por isso, não podemos confundir ou aceitar de mão beijada correlação e causalidade. Ou seja, as pessoas molham-se muito mais à chuva, durante o dia do que durante a noite,. Mas isso não quer dizer que chova mais durante o dia do que de noite; significa é que anda mais gente na rua de dia do que de noite!!!
Mas há correlações de causalidade que são verdadeiras e uma delas tem a ver com a expectativa e a qualidade de vida com a "era do CO2": nos últimos 200 anos o PIB mundial aumentou 110 vezes; a população aumentou 6,2 mil milhões de pessoas e a expectativa de vida que era de 43 anos, duplicou. 

Vivemos num mundo cuja matriz energética depende 80% dos combustíveis fósseis. 75% da energia em África é proveniente de carvão vegetal, o que está a levar à destruição das florestas africanas e à consequente desertificação do continente. Neste momento há cerca de 3750 centrais eléctricas a carvão a funcionar em todo o mundo e há cerca de 1600 em fase de planeamento.
Vivemos num mundo global, mas não posso deixar de pensar local. Por isso manifesto aqui, mais uma vez, a minha total desconformidade com uma agenda redutora - assente numa manifesta falta de conhecimento e abertura ao diálogo - que se opõe à realização de sondagens de pesquisa de petróleo e gás natural em Portugal. É assim uma espécie de cão que morde a mão do dono: acordamos com um despertador feito à base de petróleo; escovamos os dentes com uma escova de dentes feita à base de petróleo: tomamos uma aspirina que também contem petróleo; calçamos os ténis feitos de petróleo; mandamos mensagens no facebook com um telemóvel feito a partir de petróleo; entramos no carro ou nos transportes públicos que andam a petróleo e vamos para a manifestação contra o petróleo.
É preciso parar com a desflorestação, com a perda de biodiversidade, com a sobre-exploração do Planeta. A gestão da água tem que ser uma prioridade: temos que implementar o cálculo da nossa pegada hídrica e promover processos de certificação hídrica de edifícios e equipamentos. Temos que promover a eficiência energética a todos os níveis da nossa sociedade. Temos que reduzir o desperdício. Temos que caminhar para um sistema que não seja alimentado por cada vez mais e maior consumo! Temos que fazer o caminho das energias renováveis, mas temos de o saber fazer sem destruir aquilo que é a base da nossa civilização, porque se assim for,  os mais pobres serão os que mais irão sofrer!
Em suma, temos que saber olhar o elefante de corpo inteiro, porque quando polarizamos a atenção numa só coisa, estamos a repetir os cegos da parábola e ficaremos irremediavelmente amarrados a uma visão unilateral e parcial da realidade. A sensatez e a inteligência, obriga a levar em conta a multiplicidade de factores que estão em jogo para se chegar a uma síntese, o mais unificadora possível  da nossa presente realidade.




  


quinta-feira, 21 de junho de 2018

O preço dos combustíveis na União Europeia: gasolina super - gasóleo - imposto sobre os produtos petrolíferos(ISP). Fonte: https://ec.europa.eu/energy/en/data-analysis/weekly-oil-bulletin

Em dia de debate e votação sobre a redução do "imposto sobre os produtos petrolíferos" na Assembleia da República, gostaria de partilhar convosco 3 mapas da União Europeia atualizados em 18 de Junho de 2018, onde são apresentados, respetivamente, o custo do litro de gasóleo, o custo do litro de gasolina e a percentagem de impostos que recaem sobre estes produtos, nos diversos países da União Europeia.
Na União Europeia, o valor médio de impostos  é de 59% para a gasolina e de 54% para o Diesel. Já em Portugal o valor dos impostos  representa 61% na gasolina e 53% no Gasóleo. Constata-se, assim que o nosso país está a um ponto percentual abaixo do valor médio de impostos para o gasóleo e dois pontos percentuais acima da média de impostos para a gasolina.

Custo por litro de gasóleo na União Europeia - As cores mais escuras, representam valores mais elevados

Custo por litro da Gasolina na União Europeia - As cores mais escuras representam valores mais elevados

Percentagem de imposto aplicado nos diferentes países da União Europeia. 
Bomba da esquerda - gasolina. Bomba da direita - gasóleo
Código de cores: Verde< 50%; amarelo 50% - 55%; laranja 55% - 60%; vermelho > 60%

Sobre este tema, apraz-me fazer algumas considerações que poderão ser consideradas politicamente incorrectas. Primeiro, gostaria de salientar que o preço baixo dos combustíveis nos últimos anos, tiveram em Portugal o efeito perverso de aumentar a nossa intensidade energética, ou seja foi necessário mais energia por milhão de euros de PIB porque houve um desinvestimento em eficiência energética. Depois importa referir que, se as cidades decidissem baixar os limites de velocidade (pelo menos em parte das suas áreas urbanas) de 50 kms/hora para 40 kms/hora, ou mesmo 30 kms/hora (no interior dos seus Centros Históricos,) e se todos os Portugueses decidissem cumprir escrupulosamente os limites de velocidade estabelecidos dentro e fora das cidades, e cumprir regras de condução eficiente, isso seria equivalente a uma redução que poderia variar entre 15% e 20% do consumo de combustível. Seria bom para o ambiente, seria bom para as finanças pessoais e nacionais, seria bom para a segurança rodoviária, num país onde o número de acidentes rodoviários tem vindo a aumentar. 
Mas não sou inocente e sei que uma coisa é aquilo que é e outra coisa é aquilo que gostaríamos que fosse. E neste momento aquilo que se passou hoje na Assembleia da Republica, não foi uma genuína preocupação com o bem estar dos portugueses, mas sim um conjunto de interesses políticos a testar as tendências das eleições que se aproximam.
Sou da opinião que se possa aliviar, desde já, a carga do ISP para empresas, incluindo taxis, mas discordo que se proponha uma quebra generalizada de receita a meio de um ano orçamental. O momento certo para o fazer, é na discussão do próximo orçamento 
E já agora, gostaria de ouvir opiniões dos ambientalistas, que acham que pesquisar petróleo em Portugal é um crime de "lesa-pátria", sobre o paradoxo dos combustíveis baratos!


quarta-feira, 13 de junho de 2018

ÁGUAS SUBTERRÂNEAS EM PORTUGAL
Fonte: SNIRH - Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos

O mundo, vive uma crise de água à escala global. Há milhões de pessoas sem acesso a água potável e, lugares do mundo, que hoje assumem a água como um dado adquirido, caminham a passos largos para uma situação de escassez  devido às alterações climáticas. Algumas guerras do presente e e muitas das guerras do futuro serão travadas, não por causa do petróleo, mas por causa da água. É urgente desenvolver uma nova cultura que coloque a água na primeira linha da agenda: a água acima de tudo!
Portugal está na linha da frente dos países que irão sofrer cada vez mais com a escassez de água, como ficou dramaticamente assinalado pela seca que nos assolou em 2017. Secas extremas irão fazer parte do nosso futuro e é necessário aprofundar o conhecimento dos nossos   recursos hídricos, de forma a permitir  uma gestão cada vez mais eficaz da água e, por natureza de razão,uma gestão mais eficaz do nosso ordenamento territorial. Por isso, irei hoje falar de águas subterrâneas em Portugal.
A distribuição dos recursos hídricos subterrâneos em Portugal continental está intimamente relacionada com as acções geológicas que moldaram o nosso território. O país encontra-se dividido em quatro grandes Unidades Hidrogeológicas: Maciço Antigo; Orla Ocidental; Bacia Tejo-Sado; Orla Meridional.
Portugal encontra-se dividido em quatro grandes unidades hidrogeológicas
Cada uma dessas Unidades Hidrogeológicas, está dividida em diversos Sistemas Aquíferos, embora haja zonas dentro dessa Unidades onde não foi definido qualquer Sistema Aquífero. Isso não significa a inexistência de aquíferos, mas apenas que têm pequena importância de carácter local ou onde, eventualmente, poderá existir insuficiente conhecimento para a sua caracterização. Um Sistema Aquífero, é um domínio espacial limitado em superfície e em profundidade, onde existem vários aquíferos que podem estar ou não relacionados entre si e que pela sua dimensão constituem uma unidade prática de investigação e exploração. 
O Maciço Antigo, (também designado por Maciço Ibérico ou Maciço Hespérico), é constituído fundamentalmente por rochas eruptivas e metassedimentares, dispõe, em geral, de poucos recursos, embora se assinalem algumas excepções, normalmente relacionadas com a presença de maciços calcários. Esta Unidade Hidrogeológica, dispõe em geral de poucos recursos e está subdividida em 10 sistemas aquíferos, cujo suporte litológico é constituído, maioritariamente, por calcários, quartzitos e gabros paleozóicos, depósitos de idade terciária e terraços e cascalheiras que ocupam depressões instaladas no soco antigo. 
A figura abaixo, mostra a distribuição dos 10 sistemas aquíferos do Maciço Antigo
Distribuição dos 10 sistemas aquíferos do Maciço Antigo
Orla Mesocenozóica Ocidental - abreviadamente designada por Orla Ocidental - está subdividida em 27 sistemas aquíferos individualizados em que as principais formações aquíferas são constituídas por:
  • rochas detríticas terciárias e quaternárias (areias, areias de duna, terraços, aluviões, etc.)
  • arenitos e calcários cretácicos
  • calcários do Jurássico
A figura abaixo, mostra a distribuição espacial dos 27 sistemas aquíferos da Orla Ocidental
Distribuição espacial dos sistemas aquíferos da Orla Ocidental

A Bacia Terciária do Tejo e do Sado - abreviadamente designada por Bacia Tejo-Sado, está subdividida em 4 sistemas aquíferos onde as formações mais produtivas e que constituem o suporte dos sistemas são:
  • formações quaternárias (aluviões e terraços)
  • formações terciárias, fundamentalmente pliocénicas e miocénicas (Grés de Ota, Calcários de Almoster, Série greso-calcária, etc.)
A figura abaixo, mostra a distribuição dos 4 sistemas aquíferos da Bacia Tejo-Sado
Distribuição espacial dos 4 sistemas aquíferos da Bacia Tejo-Sado
A Orla Mesocenozóica Meridional - abreviadamente designada por Orla Meridional - está subdividida em 17 sistemas aquíferos, onde as principais litologias que constituem o suporte desta unidade são:
  • formações plioquaternárias (areias e cascalheiras continentais, areias de duna, etc.)
  • formações miocénicas, fundamentalmente de fácies marinha
  • formações detríticas e carbonatadas cretácicas
  • formações calcárias e dolomíticas do Jurássico.
A figura abaixo, mostra a distribuição espacial dos 17 sistemas aquíferos da Orla Meridional
Distribuição espacial dos 17 Sistemas Aquíferos da Orla Meridional
De acordo com o Jornal Público de 22 de Novembro de 2017, existem em Portugal cerca de 60.000 captações superficiais e subterrâneas licenciadas (1 captação a cada 1,5 kms2) e só entre os dia 1 de Junho e 30 de Setembro de 2017, foram realizadas 3467 novas captações de água subterrânea (30 captações por dia) e regularizadas 1769 já existentes.
Aos números evidenciados pelo Jornal Público, eu acrescento que, haverá muitos mais milhares de captações de água subterrânea realizadas ao longo dos anos em Portugal sem o devido licenciamento. Mas mais grave ainda, são as sondagens realizadas com licenciamento, com todas as formalidades cumpridas, mas cujo relatório entregue à respetiva entidade licenciadora - ARH (Administração Região Hidrográfica), poderá não corresponder à verdade ou, no mínimo, estar tecnicamente mal elaborado. Para além disso, a estrutura em subsuperfície da sondagem de captação, não é visível e pode facilmente não corresponder aos parâmetros inicialmente determinados.
Esta situação deve-se a dois fatores fundamentais: carência de Recursos Humanos nas Regiões Hidrográficas, capazes de aprofundar os níveis de investigação e de fazer uma verdadeira fiscalização em tão elevado número de captações e ainda, devido à "desvalorização" dos profissionais de Geologia, que existe em muitas empresas de sondagens de captação de águas subterrâneas. 
O resultado é que, para além das sondagens institucionais (Câmaras, ou algumas empresas com rigorosos cadernos de encargos, nomeadamente empresas de águas termais), que tiveram uma adequada fiscalização e acompanhamento técnico, em muitas outras sondagens, é difícil conseguir confiar nos seus relatórios, porque podem não corresponder à verdade.
Este é um tema que deveria estar no topo das preocupações dos responsáveis políticos e organizações cívicas e ambientais porque, na realidade, ninguém sabe ao certo quantas sondagens de captação de água existem em Portugal e muito menos qual é a qualidade e a quantidade de água subterrânea  consumida anualmente. 
É certo que existem no SNIRH (Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos) várias centenas de pontos onde é feita a monitorização da quantidade e qualidade das águas subterrâneas. Mas há um longo caminho a percorrer na gestão dos recursos hídricos subterrâneos, para atingirmos um patamar compatível com a dimensão problema que estamos  a enfrentar. 
Porque o nosso problema, "não será nunca", petróleo a mais, mas será certamente, água a menos!!