quinta-feira, 21 de junho de 2018

O preço dos combustíveis na União Europeia: gasolina super - gasóleo - imposto sobre os produtos petrolíferos(ISP). Fonte: https://ec.europa.eu/energy/en/data-analysis/weekly-oil-bulletin

Em dia de debate e votação sobre a redução do "imposto sobre os produtos petrolíferos" na Assembleia da República, gostaria de partilhar convosco 3 mapas da União Europeia atualizados em 18 de Junho de 2018, onde são apresentados, respetivamente, o custo do litro de gasóleo, o custo do litro de gasolina e a percentagem de impostos que recaem sobre estes produtos, nos diversos países da União Europeia.
Na União Europeia, o valor médio de impostos  é de 59% para a gasolina e de 54% para o Diesel. Já em Portugal o valor dos impostos  representa 61% na gasolina e 53% no Gasóleo. Constata-se, assim que o nosso país está a um ponto percentual abaixo do valor médio de impostos para o gasóleo e dois pontos percentuais acima da média de impostos para a gasolina.

Custo por litro de gasóleo na União Europeia - As cores mais escuras, representam valores mais elevados

Custo por litro da Gasolina na União Europeia - As cores mais escuras representam valores mais elevados

Percentagem de imposto aplicado nos diferentes países da União Europeia. 
Bomba da esquerda - gasolina. Bomba da direita - gasóleo
Código de cores: Verde< 50%; amarelo 50% - 55%; laranja 55% - 60%; vermelho > 60%

Sobre este tema, apraz-me fazer algumas considerações que poderão ser consideradas politicamente incorrectas. Primeiro, gostaria de salientar que o preço baixo dos combustíveis nos últimos anos, tiveram em Portugal o efeito perverso de aumentar a nossa intensidade energética, ou seja foi necessário mais energia por milhão de euros de PIB porque houve um desinvestimento em eficiência energética. Depois importa referir que, se as cidades decidissem baixar os limites de velocidade (pelo menos em parte das suas áreas urbanas) de 50 kms/hora para 40 kms/hora, ou mesmo 30 kms/hora (no interior dos seus Centros Históricos,) e se todos os Portugueses decidissem cumprir escrupulosamente os limites de velocidade estabelecidos dentro e fora das cidades, e cumprir regras de condução eficiente, isso seria equivalente a uma redução que poderia variar entre 15% e 20% do consumo de combustível. Seria bom para o ambiente, seria bom para as finanças pessoais e nacionais, seria bom para a segurança rodoviária, num país onde o número de acidentes rodoviários tem vindo a aumentar. 
Mas não sou inocente e sei que uma coisa é aquilo que é e outra coisa é aquilo que gostaríamos que fosse. E neste momento aquilo que se passou hoje na Assembleia da Republica, não foi uma genuína preocupação com o bem estar dos portugueses, mas sim um conjunto de interesses políticos a testar as tendências das eleições que se aproximam.
Sou da opinião que se possa aliviar, desde já, a carga do ISP para empresas, incluindo taxis, mas discordo que se proponha uma quebra generalizada de receita a meio de um ano orçamental. O momento certo para o fazer, é na discussão do próximo orçamento 
E já agora, gostaria de ouvir opiniões dos ambientalistas, que acham que pesquisar petróleo em Portugal é um crime de "lesa-pátria", sobre o paradoxo dos combustíveis baratos!


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