quarta-feira, 18 de julho de 2018



A PARÁBOLA DO ELEFANTE E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS


Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e reuni-os no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e  colocou-o diante do grupo. Em seguida, conduzindo-os pela mão, foi levando os cegos até ao elefante para que o apalpassem. Um apalpava a barriga, outro a cauda, outro a orelha, outro a tromba, outro uma das pernas. Quando todos os cegos tinham apalpado o paquiderme , o príncipe ordenou que cada um explicasse aos outros como era o elefante, então, o que tinha apalpado a barriga, disse que o elefante era como uma enorme panela. O que tinha apalpado a cauda até aos pelos da extremidade discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma vassoura. “Nada disso “, interrompeu o que tinha apalpado a orelha. “Se alguma coisa se parece, é com um grande leque aberto”. O que apalpara a tromba deu uma risada e interferiu: “Vocês estão por fora. O elefante tem a forma, as ondulações e a flexibilidade de uma mangueira de água…”. “Essa não”, replicou o que apalpara a perna, “ele é redondo como uma grande mangueira, mas não tem nada de ondulações nem de flexibilidade, é rígido como um poste…”. Os cegos envolveram-se numa discussão sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados, e que o certo era o que ele dizia. Evidentemente cada um apoiava-se na sua própria experiência e não conseguia entender como os demais podiam afirmar o que afirmavam. O príncipe deixou-os falar para ver se chegavam a um acordo, mas quando percebeu que eram incapazes de aceitar que os outros podiam ter tido outras experiências, ordenou que se calassem. “O elefante é tudo isso que vocês falaram.”, explicou. “Tudo isso que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam juntar as experiência de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante.”
Nesta parábola, as alterações climáticas, são o nosso elefante. As alterações climáticas, são atualmente protagonistas de um dos mais intensos e contenciosos debates científicos e sociais da humanidade.
Nenhum cientista tem dúvidas: as alterações climáticas são reais e sempre aconteceram ao longo dos últimos 570 milhões de anos, que é o período  até onde é possível fazer a reconstituição paleoclimática do Planeta Terra. A questão que permanece em aceso debate científico é se as alterações a que estamos a assistir atualmente se devem às acelerações das emissões de CO2 ou se se devem a causas naturais que sempre ocorreram ao longo da história do Planeta.
A verdade é que há um número crescente de cientistas que considera que a "política tem andado à frente da comunidade científica" e que existe um consenso científico fabricado e moldado por forças políticas dentro do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) Essa força crescente de contestação científica, considera que é uma simplificação errada eleger o CO2 como a principal alavanca das alterações climáticas e refere aquilo que é transversalmente reconhecido por toda a comunidade científica, incluindo aqueles que consideram o CO2 como o principal controlador do clima: há uma variação natural do clima e, portanto é necessário desenvolver uma teoria unificadora "CO2 -- causas naturais!"
É aqui que entra o nosso elefante: é preciso olhar para o animal inteiro! A comunidade científica ainda não sabe "desembrulhar" e perceber de que forma é que a produção dos efeitos antropogénicos do CO2 e as causas naturais contribuem para as alterações climáticas.
Facto 1: o recente aumento de temperatura que hoje se verifica, começou há 300 anos, no final da "pequena idade do gelo" e nós não tivemos nada a ver com o assunto. Esse foi o momento mais frio do planeta nos últimos 10 mil anos.
Facto 2: O aumento do nível do mar começou por volta de 1860, muito antes das emissões de CO2 se terem tornado relevantes, o que aconteceu depois de 1950.
Facto 3: O mar contem cerca de 45 vezes mais CO2 do que a atmosfera e a temperatura do mar determina qual a quantidade de CO2 que pode ser absorvida: quanto mais fria a água do mar, maior a quantidade de CO2 que pode ser absorvida.
Facto 4: Os níveis de CO2 existentes na atmosfera representam neste momento 0,4% (ou 400 ppm) do total da composição atmosférica e têm vindo a baixar nos últimos 600 milhões de anos
A Terra passa por variações da sua órbita (os chamados ciclos de Milankovich) em períodos que se repetem a cada 100 mil anos e muitos cientistas defendem que o aumento ou diminuição da temperatura causada por essa variação, induz uma maior ou menor capacidade das águas do mar para absorver CO2 e que portanto é a temperatura que provoca um aumento do CO2 e não o CO2 que provoca um aumento da temperatura.
Enfim, muitas perguntas ainda à procura de resposta e, por isso, não podemos confundir ou aceitar de mão beijada correlação e causalidade. Ou seja, as pessoas molham-se muito mais à chuva, durante o dia do que durante a noite,. Mas isso não quer dizer que chova mais durante o dia do que de noite; significa é que anda mais gente na rua de dia do que de noite!!!
Mas há correlações de causalidade que são verdadeiras e uma delas tem a ver com a expectativa e a qualidade de vida com a "era do CO2": nos últimos 200 anos o PIB mundial aumentou 110 vezes; a população aumentou 6,2 mil milhões de pessoas e a expectativa de vida que era de 43 anos, duplicou. 

Vivemos num mundo cuja matriz energética depende 80% dos combustíveis fósseis. 75% da energia em África é proveniente de carvão vegetal, o que está a levar à destruição das florestas africanas e à consequente desertificação do continente. Neste momento há cerca de 3750 centrais eléctricas a carvão a funcionar em todo o mundo e há cerca de 1600 em fase de planeamento.
Vivemos num mundo global, mas não posso deixar de pensar local. Por isso manifesto aqui, mais uma vez, a minha total desconformidade com uma agenda redutora - assente numa manifesta falta de conhecimento e abertura ao diálogo - que se opõe à realização de sondagens de pesquisa de petróleo e gás natural em Portugal. É assim uma espécie de cão que morde a mão do dono: acordamos com um despertador feito à base de petróleo; escovamos os dentes com uma escova de dentes feita à base de petróleo: tomamos uma aspirina que também contem petróleo; calçamos os ténis feitos de petróleo; mandamos mensagens no facebook com um telemóvel feito a partir de petróleo; entramos no carro ou nos transportes públicos que andam a petróleo e vamos para a manifestação contra o petróleo.
É preciso parar com a desflorestação, com a perda de biodiversidade, com a sobre-exploração do Planeta. A gestão da água tem que ser uma prioridade: temos que implementar o cálculo da nossa pegada hídrica e promover processos de certificação hídrica de edifícios e equipamentos. Temos que promover a eficiência energética a todos os níveis da nossa sociedade. Temos que reduzir o desperdício. Temos que caminhar para um sistema que não seja alimentado por cada vez mais e maior consumo! Temos que fazer o caminho das energias renováveis, mas temos de o saber fazer sem destruir aquilo que é a base da nossa civilização, porque se assim for,  os mais pobres serão os que mais irão sofrer!
Em suma, temos que saber olhar o elefante de corpo inteiro, porque quando polarizamos a atenção numa só coisa, estamos a repetir os cegos da parábola e ficaremos irremediavelmente amarrados a uma visão unilateral e parcial da realidade. A sensatez e a inteligência, obriga a levar em conta a multiplicidade de factores que estão em jogo para se chegar a uma síntese, o mais unificadora possível  da nossa presente realidade.




  


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