Nota prévia: No momento em a que ENI e a GALP se preparam para dar início, em setembro, a uma sondagem de pesquisa petrolífera na bacia sedimentar do Alentejo, o tema petróleo é incontornável. Por isso irei, num próximo post, exprimir a minha opinião sobre este assunto, mas para já gostaria de fazer uma pequena introdução genérica subordinada ao tema.
O PETRÓLEO
“O meu pai andava de camelo, eu ando de Rolls-Royce, o meu filho anda de avião a jacto e o filho dele há-de voltar a andar de camelo” (Provérbio árabe)
Petróleo (do latim petrus, pedra e oleum, óleo) significa “óleo de rocha” e conhece-se desde a mais remota antiguidade. A primeira menção à sua utilização, figura na Bíblia, que nos diz que Noé, antes de navegar, impermeabilizou a arca com betume, o que nos levaria a cerca de 6000 anos antes de Cristo. Os chineses, egípcios e assírios usaram-no para diversas finalidades – na medicina, construção, embalsamamento, etc. – e, na Europa - França a exploração de areias asfálticas do campo de Péchelbronn, começou ainda no século XVI tendo sido desativado por volta de 1970.
Apesar de na China haver registos de sondagens petrolíferas realizadas há mais de 1000 anos, o que é facto é que, a maior parte dos produtos petrolíferos comercializados procediam de afloramentos superficiais, o mais famoso dos quais era em Hit - no Rio Eufrates, não muito longe da Babilónia (perto de Bagdade). O betume era uma mercadoria negociada no médio oriente há muitos milhares de anos.
Quando no dia 27 de Agosto de 1859, o Coronel Drake (que não era Coronel) encontrou Petróleo numa sondagem realizada a 23 metros de profundidade e iniciou uma produção diária de 25 barris em Titusville na Pennsylvania (Estados Unidos), certamente não imaginaria que esse momento iria moldar para sempre a história da humanidade com o nascimento da indústria petrolífera. Estava finalmente feita a prova de que o Petróleo, tão procurado para a iluminação, podia ser encontrado em grandes quantidades através de sondagens. Um ano depois, a região da Pennsylvania tinha já produzido 600.000 barris e 159 anos depois, em 2018, o mundo produz cerca de 95 milhões de barris por dia. Ironicamente, foi devido à descoberta petrolífera da Pennsylvania, que se salvaram as baleias cachalotes do Atlântico Norte, porque naquele tempo, havia uma “sobre caça” a esses gigantes do mar, em busca daquilo que era considerado o melhor óleo para iluminação: óleo de cachalote!
O petróleo é uma mistura natural de hidrocarbonetos, que são compostos formados essencialmente por átomos de carbono (C) e de hidrogénio (H) que em condições normais de pressão e temperatura podem ser gasosos (gás natural), líquidos (petróleo bruto) ou sólidos (betumes, asfaltos, parafinas, etc.) conforme a menor ou maior complexidade das suas moléculas.
O petróleo formou-se ao longo dos tempos geológicos, pela acumulação de matéria orgânica em ambientes de deposição de sedimentos, que formaram rochas que constituem hoje, as chamadas bacias sedimentares. Todavia, o petróleo muito raramente se encontra em quantidades apreciáveis nos locais onde foi gerado; com efeito, uma das suas principais características é ser um fluído que se desloca – diz-se que migra – através dos vazios existentes nas rochas sólidas, e que, finalmente, quando surgem barreiras naturais que impedem que essa deslocação (ou migração) continue, acumula-se e aguarda o dia em que acabe por ser descoberto.
Em Portugal, as nossas bacias
sedimentares, e portanto as áreas prospectáveis para a pesquisa de petróleo,
estão relacionadas com a separação da Ibéria e da América do Norte, num evento
multifaseado que teve início no Triássico Superior há cerca de 220 milhões de
anos. Assim, ao longo da nossa história geológica, desenvolveram-se no nosso
território várias bacias sedimentares em terra (onshore) e no mar (offshore).
No “onshore” a bacia sedimentar (Bacia Lusitânica) ocupa uma área com cerca de
12 mil km2, e pode ser mais ou menos delimitada por um gomo da nossa orla
ocidental entre Aveiro – Coimbra – Tomar e Setúbal; no “offshore”,
desenvolveram-se bacias ao longo de toda orla ocidental (Bacia do Porto, Bacia
Lusitânica “offshore”, Bacia de Peniche, Bacia do Alentejo) que ocupam uma área
com cerca de 16 mil km2 e na orla Sul (Bacia do Algarve – com uma pequena
extensão não prospectável no “onshore”) que ocupa uma área com cerca de 8000 km2.
Parte das bacias sedimentares “offshore” desenvolvem-se em águas profundas, ou
seja áreas com uma lâmina de água superior a 200 metros.
A pesquisa de hidrocarbonetos em
Portugal remonta a 1844 com a descoberta da mina de asfalto denominada Canto de
Azeche, situada numa falésia próximo da Praia da Vitória (Pataias). Para além
da pavimentação de estradas, o asfalto retirado dessa mina terá sido usado para
pavimentar as estações de caminho-de-ferro contruídas no final do século XIX e
início do século XX. Apesar de ter havido alguns trabalhos de pesquisa ao longo
de toda a primeira metade do século XX, só partir da década de 50 se começou a
desenvolver a pesquisa de forma sistemática e com base científica. Desde essa
data até aos dias de hoje, foram realizadas 175 sondagens -149 onshore e 26 offshore, sendo que 5 das sondagens offshore, foram realizadas na Bacia do Algarve. Registe-se também
que, das 149 sondagens realizadas onshore,
só 81 é que atingiram profundidades superiores a 500 metros e que a maioria das
restantes 69 sondagens atingiram profundidades na ordem das duas ou três
centenas de metros. É de referir ainda, que em Portugal são realizadas
anualmente dezenas de sondagens de captação de água, que atingem profundidades
de várias centenas de metros, em locais que podem também ser objetivos
petrolíferos! Do total de sondagens realizadas, houve 117 com indícios de
petróleo ou gás sem que, até hoje, tenha sido feita qualquer descoberta
comercial de hidrocarbonetos (petróleo ou gás natural).
O petróleo representa uma enorme
fatia da nossa factura energética, com valores muito relevantes em percentagem
do PIB e na nossa balança de mercadorias. Em 2017, o país importou quase 17,5
milhões de toneladas de petróleo bruto e refinados ou seja cerca de 260 mil
barris por dia de produtos petrolíferos, correspondente a uma fatura de 6,3 mil
milhões de euros. Registe-se que, esse valor, reflete um aumento de cerca de
22% em relação ao ano de 2016 e que, a tendência de subida do petróleo indicia
que os custos de importação de produtos petrolíferos continuarão a subir em 2018.
1 barril é igual a 158.987296 litros
ou 42 galões
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