segunda-feira, 14 de maio de 2018



Hamburgers "fast food", óleo de Palma e a 
salvação das florestas tropicais


No início da década de 80 do século passado , quando as questões associadas ao aquecimento global ainda não faziam parte da agenda mediática, li um artigo numa publicação científica com o seguinte título: " O fast food e a destruição das florestas tropicais".
De facto, 35 anos mais tarde, é hoje um facto plenamente assumido pela comunidade científica internacional, que existe uma ligação intrínseca entre a destruição das florestas tropicais e o exponencial aumento do consumo de carne de vaca. Alguns autores, chegam mesmo a quantificar essa destruição  em mais de de 65% do desmatamento  total  das florestas tropicais, que ocorre anualmente no planeta e, em particular na floresta da Amazónia. 

Presentemente, vivem em território da Amazónia 25 milhões de pessoas e há 85 milhões de cabeças de gado bovino! (fonte: http://www.ihu.unisinos.br/eventos/569901-como-o-bife-do-seu-prato-explica-o-desmatamento-na-amazonia )

Por outro lado, nas florestas do sudeste asiático, essa destruição ocorre, sobretudo, devido à plantação de Palma (Dendezeiro) para a produção de óleo de palma (azeite dendê) que é um óleo barato, usado em grande escala na indústria alimentar, na cosmética e no fabrico de biodiesel (que faz parte da diretiva das energias renováveis).
Área de floresta devastada para a produção de Palma (Dendezeiro)

No sudeste Asiático, na América Latina e em África,vastas áreas de floresta tropical são queimadas e desmatadas todos os dias, para criar áreas de plantação de Palma. Desta forma, enormes quantidades de gases de efeito estufa são emitidos para a atmosfera. A Indonésia - o maior produtor de óleo de palma - chegou a emitir mais gases de efeito estufa do que os Estados Unidos e estudos apontam para que, o biodiesel produzido a partir do óleo de palma, seja três vezes mais nocivo para o clima do que o combustível fóssil. Não será por acaso, que  a associação ambientalista ZERO considera que a produção deste óleo, para utilização nos biocombustíveis, tem efeitos ambientais devastadores e deve ficar fora da estabilização para o cumprimento das metas europeias das energias renováveis, onde quase metade do óleo de palma importado, é usado para a produção de biodiesel.

Por isso, a mensagem deste post é a seguinte: não se resolvem as alterações climáticas sem parar a desflorestação e não se para a desflorestação sem reduzir o consumo de carne de vaca e sem alterar o paradigma de considerar o óleo de palma como uma energia renovável!
Um hamburger de vaca, precisa de 20 vezes mais terra do que o feijão, para a mesma quantidade de nutrientes, e provoca 20 vezes mais gases de efeito estufa e, para além disso, a produção de um hamburger, até chegar a nossa mesa, consome cerca de 2600 litros de água. 
Por outro lado produzem-se anualmente 66 milhões de toneladas de óleo de palma que é o óleo vegetal mais produzido no mundo e está presente em um de cada dois produtos de supermercado - refeições prontas, bolachas, margarina cremes hidratantes, sabões, maquilhagem, velas, detergentes... (fonte: https://www.salveaselva.org/temas/oleo-de-palma ).
O irónico de tudo isto é que, durante os 12 meses que trabalhei no interior da floresta Amazónica, pude testemunhar em primeira mão que,  o impacte ambiental resultante da pesquisa petrolífera, era praticamente insignificante, quando comparado com a devastação causada pela produção de gado bovino  ou pela plantação de Palma para a produção de óleo de palma!!!
Não é por sermos contra, seja lá o que for, que nos tornamos ambientalistas. Para darmos o nosso contributo efetivo em prole do ambiente, é preciso educar as crianças para uma melhor alimentação, promover a substituição de óleo de palma por outros tipos de óleo - girassol, colza, azeite, côco, milho... e encorajar profundas mudanças de comportamento nas nossas comunidades. 

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